segunda-feira, setembro 17, 2018

Leo Vieira: Mentindo de forma Convincente


Esse é um artifício usado qualquer pessoa desonesta que queira distorcer uma situação ou suavizar uma ocorrência grave. Já li biografia de ditadores repletas de itens como o que eu vou abordar agora.
Mas a questão aqui é ensinar como mentir de forma convincente para os seus livros. Você precisa ser o mais verossímil possível para fazer o leitor ser conduzido na história. Abuse da criatividade, criando algo inspirado no que já existe. Descreva um cenário real modificando, distorça algo com itens surreais, mas construa informações para deixar verossímil. Isso é um desafio. Coloque também coisas absurdas, modificando o máximo possível, se baseando em fontes, mapas conhecidos, relatórios jornalísticos, use argumento
jornalístico também, como é relatado em uma notícia de jornal e tente um pouco de linguagem rebuscada, como se fosse descrever algo científico. A escrita jornalística ajuda a ficar compreensível algo inimaginável.
Quando eu fui filiado em diversas academias de letras, o que tinha de "doutor" com "mestrado e doutorado"... titulações reconhecimento internacional, condes, duques e príncipes de casas reais extintas há centenas de anos (como se houvesse alguma validade em um país republicano), presidentes de ONGs, etc.
Na escrita, minta de forma convincente, mas nunca use tal habilidade para coisas desonestas.
Leo Vieira



® Leo Vieira- Direitos Reservados

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sexta-feira, setembro 14, 2018

[Resenha] A Alameda dos Algodões Flutuantes - Mogg Mester


Sinopse

Em um universo desprovido de sentido, onde o fantástico é possível, pessoas se questionam se é o mundo que extirpa o brilho de suas vidas ou se são elas mesmas as responsáveis por suas tragédias pessoais. Como uma assinatura, uma marca ou um aviso, o universo lhes responde da forma mais irônica possível: com uma chuva de algodão.

Algo entre o absurdo e o trivial traz consigo essa tempestade que arranca cada personagem de sua comodidade para colocá-lo novamente na roda da vida. Viver é o principal atrativo, mas aprender a morrer pode ser uma boa alternativa.

Bem-vindo à Alameda dos Algodões Flutuantes. Nela, uma história reside em cada floco.


Olá Pessoal!
Livro enviado como  cortesia  pela Editora VERLIDELAS.

A Alameda dos Algodões Flutuantes é um livro curto composto por onze contos pra lá de desconcertantes é difícil expressar em palavras, somente lendo mesmo para entender minha dificuldade até porque cada leitor com certeza viverá sensações/experiências únicas. São contos com histórias separadas mas interligados como se fosse uma história só. 

Eu me apaixonei pela narrativa que faz o leitor adentrar na história como envolto em magia a ponto de se sobressaltar com o desfecho ficando por vezes impressionado, o autor escreve de forma culta e com leve toque de poesia o que dá uma sensação de estar sonhando gostoso e de repente se encaminha para algo perigoso, estranho, desconfortável. Por isso o sobressalto, somos pegos de surpresa quando nos deparamos com uma possível realidade. 

Não se tem ideia de que parte do Brasil se situa a Alameda, como descrita no livro ela tem ruas largas, muitas casas, uma padaria, uma escola, uma livraria, um Shopping , uma estação de trem e uma de ônibus. É ladeada de árvores que expelem sementes embrulhadas em um novelo parecido com algodão: as mafumeiras. Quando as mafumeiras “choram algodão” coisas estranhas acontecem. Seu Gutenberg, o morador que inaugurou o local , recomendava não subestimar  o poder sobrenatural da tal árvore.

Bem, as histórias mexeram comigo de várias maneiras, acho que um sentimento que calou mais fundo em mim que percebi através da  maioria dos personagens foi a solidão , a procura de ser amado, de ser enxergado  tão impregnado no nosso ser que anula nossa capacidade cognitiva. Eu só posso dizer que é um livro que você não deve deixar de ler.


O livro é nota 10 em todos os segmentos capa, diagramação, escrita , revisão e etc. Este é o segundo livro que leio da VERLIDELAS e é sem dúvida nenhuma que afirmo o desvelo que a editora tem com suas publicações é um trabalho primoroso, excelente.
Visite o site da Editora


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quarta-feira, setembro 12, 2018

[Resenha] Sete Minutos Depois da Meia-Noite - Patrick Ness

   
Sinopse:  Conor é um garoto de 13 anos e está com muitos problemas na vida. A mãe dele está muito doente, passando por tratamentos rigorosos. Os colegas da escola agem como se ele fosse invisível, exceto por Harry e seus amigos que o provocam diariamente.

A avó de Conor, que não é como as outras avós, está chegando para uma longa estadia. E, além do pesadelo terrível que o faz acordar em desespero todas as noites, às 00h07 ele recebe a visita de um monstro que conta histórias sem sentido. 

 O monstro vive na Terra há muito tempo, é grandioso e selvagem, mas Conor não teme a aparência dele. Na verdade, ele teme o que o monstro quer, uma coisa muito frágil e perigosa. O monstro quer a verdade. Baseado na ideia de Siobhan Dowd, 

Sete minutos depois da meia-noite é um livro em que fantasia e realidade se misturam. Ele nos fala dos sentimentos de perda, medo e solidão e também da coragem e da compaixão necessárias para ultrapassá-los.
Olá Pessoal! 

 Já começo dizendo como amei ler este livro e o quanto me emocionei. (E como assim nunca li nada de Siobhan Dowd?) Vergonha enorme. Penso que Patrick Ness foi bem feliz em Sete Minutos depois da Meia - Noite

 A coragem de Connor diante de uma adversidade imutável que é a doença de sua mãe e outras que teria que aprender sozinho, como o bullying que sofre na escola, a solidão, a ausência do pai, as mudanças e a convivência com quem não se tem nada em comum. 


 São os ritos de passagem e qualquer coisa pode desencadear uma crise e no caso de Connor, este menino corajoso que não tem medo de bicho-papão e nem de monstros, mas tem medo da verdade, não sabe lidar com ela. 


 A realidade para ele é tão tenebrosa que acaba criando um mundo para si e formando um pacto com o monstro da árvore que no decorrer da história lhe conta história e a última tem que ser a dele, que ele mesmo deveria contar e dizer a verdade que lhe corrói a alma e só assim se libertar.


 Que monstro mais lindo e não poderia ser diferente! Eu li e assisti ao filme e é claro que prefiro o livro, embora o filme foi bem fiel e vale muito a pena, está guardada no meu coração. ( dramática rs)


 Leiam, assistam! É terno, emocionante e reflexivo.


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segunda-feira, setembro 10, 2018

Leo Vieira: Cuidado Com "Apologias"


Um assunto polêmico e delicado que tem que ter muita sutileza ao comentar. Eu sou da época em que podia se fazer piada sobre tudo. Existia as "piadas de bicha", as piadas de português, as piadas de sogra, as piadas machistas, as piadas de gordo, piadas de religião, etc. Mas há uma diferença muito grande naquela época para hoje.
Na minha época (década de 1980 e 1990), quando não se tinha internet, as piadas eram direcionadas para um público muito restrito. Os livrinhos tinham a legenda "proibido para menores de 18 anos" e os discos tinham a legenda "proibido exibição pública". Nos shows de humoristas, não entravam adolescentes e dificilmente algo era filmado ou gravado sem permissão. No máximo, fotografado.
O humor é a arte focada em sua auto-ridicularização ao público, como fazer piada da sua própria estética, da sua situação financeira, etc. Se você está fazendo chacota do peso, aparência, situação financeira de outra pessoa, você está se comportando como completo estúpido.
Não é engraçado querer fazer humor como se o alvo em questão fosse hediondo, inferior ou pejorativo. Já notou como existe preconceito com pessoas por causa de sexo, raça, religião e/ou orientação sexual? e já notou como existe inimizade, revolta e depressão em consequência disso? E você ainda vai corroborar com tudo isso através de uma "brincadeira"?
Portanto, muito, mas muito cuidado com o que você posta na internet e/ou em seus livros. Senão o seu texto se transformará numa sentença de morte para a sua carreira literária (além um processo básico).
E não adianta resmungar o defasado "ah, mas na minha época não era assim"... É claro que não! As pessoas mudam (alguns pra pior) e se não fosse assim, nem mesmo seria preciso desenhar a questão num texto como este.
Leo Vieira


® Leo Vieira- Direitos Reservados

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sexta-feira, setembro 07, 2018

[Resenha] O Inquilino - Roland Topor



Olá Pessoal!

O Inquilino de Roland Topor é um livro curto de leitura rápida, porém, que deixa o leitor por tempo impressionado.
O que causa terror são as sensações que temos durante a leitura, apreensão e claustrofobia, enquanto sente o medo que permeia o protagonista sente também medo por ele e se pergunta o tempo todo o que daqueles acontecimentos são reais?
É um emaranhado psicológico tão perfeito que chega se acreditar que o personagem principal é o próprio leitor. Rá (a louca)

SINOPSE: Era um apartamento pequeno e antigo, mas Trelkovsky o alugou... embora a antiga moradora se tivesse jogado da janela numa dramática tentativa de suicídio... embora ele sentisse a sua presença - e a sua loucura - impregnadas naquelas paredes velhas e úmidas... embora a mulher morta ainda vivesse naquele apartamento. Uma pessoa medrosa ou supersticiosa não o teria alugado, mas Trelkovsky arriscou tudo e agora era o inquilino.


Trelkovsky é um rapaz tímido, educado que após ser despejado de sua antiga casa, aceita a indicação de um amigo sobre um apartamento vago. Mesmo sabendo que a antiga inquilina Simone Choule, havia tentado o suicídio se jogando da janela ele optou por alugar e até entrou numa negociação minuciosa com o senhorio.

Logo percebe que seus vizinhos são bizarros, tem verdadeira obsessão pelo silêncio, a qualquer barulho eles batem na parede e a coisa ficou torturante após uma festinha que ele deu no apartamento.
A partir desse dia as coisas começaram a ficar macabras, Trelkovsky achou atrás do guarda-roupa um dente incisivo, em outra ocasião entrara em sua casa e reviraram tudo, lixos que desaparecem misteriosamente das escadas, uma loucura

De repente Trelkovsky começa realmente a enlouquecer, desenvolve uma obsessão por Simone Choule e começa a pensar que os moradores possam ter levado a antiga moradora a se matar e quer fazer o mesmo com ele. Daí por diante queridos leitores nada parece ser real e o final é surpreendentemente confuso, sombrio e aterrorizante.

Para quem curte um bom terror este é leitura obrigatória.

Vale aqui lembrar o grande Roman Polanski e sua trilogia Apartamentos com os filmes  " O Inquilino" ( Roland Topor) "O Bebê de Rosemary" ( Ira Levin)  e  “Repulsa ao Sexo” os três engloba o tema  apartamento e a claustrofobia.



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[Resenha] Marina - Carlos Ruiz Zafón


Sinopse

 Neste livro, Zafón constrói um suspense envolvente em que Barcelona é a cidade-personagem, por onde o estudante de internato Óscar Drai, de 15 anos, passa todo o seu tempo livre, andando pelas ruas e se encantando com a arquitetura de seus casarões. É um desses antigos casarões aparentemente abandonados que chama a atenção de Oscar, que logo se aventura a entrar na casa. Lá dentro, o jovem se encanta com o som de uma belíssima voz e por um relógio de bolso quebrado e muito antigo. Mas ele se assusta com uma inesperada presença na sala de estar e foge, assustado, levando o relógio. Dias depois, ao retornar à casa para devolver o objeto roubado, conhece Marina, a jovem de olhos cinzentos que o leva a um cemitério, onde uma mulher coberta por um manto negro visita uma sepultura sem nome, sempre à mesma data, à mesma hora. Os dois passam então a tentar desvendar o mistério que ronda a mulher do cemitério, passando por palacetes e estufas abandonadas, lutando contra manequins vivos e se defrontando com o mesmo símbolo - uma mariposa negra - diversas vezes, nas mais aventurosas situações por entre os cantos remotos de Barcelona. Tudo isso pelos olhos de Oscar, o menino solitário que se apaixona por Marina e tudo o que a envolve, passando a conviver dia e noite com a falta de eletricidade do casarão, o amigável e doente pai da garota, Germán, o gato Kafka, e a coleção de pinturas espectrais da sala de retratos. Em Marina, o leitor é tragado para dentro de uma investigação cheia de mistérios, conhecendo, a cada capítulo, novas pistas e personagens de uma intrincada história sobre um imigrante de Praga que fez fama e fortuna em Barcelona e teve com sua bela esposa um fim trágico. Ou pelo menos é o que todos imaginam que tenha acontecido, a não ser por Oscar e Marina, que vão correr em busca da verdade - antes de saber que é ela que vai ao encontro deles, como declara um dos complexos personagens do livro.


Todos temos um segredo trancado a sete chaves no sótão da alma. Este é o meu.

"Quinze anos depois, voltei à cidade (...) O velho cemitério continua lá, acho eu, perdido na névoa (...) As vezes duvido da minha memória (...)  Todos nós  temos  um segredo trancado a sete chaves no sótão da alma. Este é o meu."   


Este livro fala de amor, amizade, ambição,perdas, medos, sofrimentos inevitáveis e ternura em um cenário permeado de mistérios e muito suspense.
Gosto de pensar que Marina é um amigo imaginário, Óscar extravasa sua dor de crescer, sua solidão , seus desejos, vivendo com Marina; o primeiro amor, a primeira amizade, a primeira desilusão...


O livro resgata em nós a espontaneidade e pureza de sentimentos, lembrando-nos da essência de criança que já fomos um dia!

Uma estória , embora lúgubre é repleta de sentimentos que nos causam empatia, fora escrito a princípio para o público jovem, mas certamente um livro que todo adulto terá prazer em ler.

Se você é daqueles que marcam nos livros as frases preferidas, devo avisar que irá marcá-lo todo, esse é o único ponto baixo do livro , contém muitas frases feitas. Fora isso o enredo é empolgante e fascinante e já como marca registrada do autor, prende-´nos a leitura , ficando difícil parar de ler.

Quando lemos um livro de Zafón é como se tivéssemos sido transportados para um mundo surreal, sempre a velha Barcelona com seus encantos e mistério. Quando você termina de ler seja qualquer um livro dele, tem a sensação que perdeu algo, sente uma saudade inexplicável , uma vontade de resgatar algo, que lhe foge da memória...

Tudo isso numa estória como já disse de suspense e mistérios (quase beirando ao terror) que envolve o casal.

Ótima leitura!
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