sexta-feira, fevereiro 23, 2018

[Resenha] O Conto da Aia - Margaret Atwood

Sinopse
Descrição do livro
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O Conto da Aia – A história de O Conto da Aia, da canadense Margaret Atwood, passa-se num futuro muito próximo e tem como cenário uma república onde não existem mais jornais, revistas, livros nem filmes – tudo fora queimado. As universidades foram extintas. Também já não há advogados, porque ninguém tem direito a defesa. Os cidadãos considerados criminosos são fuzilados e pendurados mortos no Muro, em praça pública, para servir de exemplo enquanto seus corpos apodrecem à vista de todos. Para merecer esse destino, não é preciso fazer muita coisa – basta, por exemplo, cantar qualquer canção que contenha palavras proibidas pelo regime, como “liberdade”. Nesse Estado teocrático e totalitário, as mulheres são as vítimas preferenciais, anuladas por uma opressão sem precedentes. O nome dessa república é Gilead, mas já foi Estados Unidos da América.

Como tudo pôde mudar tão rapidamente? Offred, a narradora, responde: “Foi depois da catástrofe, quando mataram a tiros o presidente e metralharam o Congresso, e o Exército declarou estado de emergência. Na época, atribuíram a culpa aos fanáticos islâmicos. Mantenham a calma, diziam na televisão. Tudo está sob controle. (…) Foi então que suspenderam a Constituição. Disseram que seria temporário. Não houve sequer um tumulto nas ruas. As pessoas ficavam em casa à noite, assistindo à televisão, em busca de alguma direção. Não havia mais um inimigo que se pudesse identificar.” Não, este não é um romance pós-atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. Margaret Atwood, a grande dama da literatura contemporânea em língua inglesa, publicou-o originalmente em 1985. O livro já é um clássico, há muitos anos adotado nos colégios ingleses, canadenses e americanos. E agora ganha tradução para o português.

As mulheres de Gilead não têm direitos. Elas são divididas em categorias, cada qual com uma função muito específica no Estado – há as esposas, as marthas, as salvadoras etc. À pobre Offred coube a categoria de aia, o que significa pertencer ao governo e existir unicamente para procriar. Uma catástrofe nuclear tornou estéril grande parte das pessoas, de modo que as mulheres férteis agora são preciosidades. Transformadas em aias, elas são entregues a algum homem casado do alto escalão do exército e obrigadas a fazer sexo com eles até engravidar. Portanto, a cada mês, menstruar é fracassar. E quando elas engravidam, dão à luz e amamentam a criança por alguns meses, sendo que o bebê é propriedade do casal que as escravizou. Após o período de amamentação, elas são entregues a outro homem e passam pelo mesmo martírio novamente, agora com outro nome – Offred é “of Fred”, “de Fred”, “pertencente ao homem chamado Fred”. Ao longo da vida, uma aia pode ter vários donos e, portanto, vários nomes: Ofglen, Ofcharles, Ofwayne…

As aias são controladas e vigiadas dia e noite. Elas não têm permissão para escrever nem ler, só podem ir ao banheiro um determinado número de vezes por dia e não devem permitir que nenhum homem veja qualquer parte do seu corpo exposta, nem mesmo os braços. O ideal é que nem seu rosto seja mostrado. É uma vida triste, mas um destino melhor que o das não-mulheres, como são chamadas aquelas que não podem ter filhos, as homossexuais, viúvas e feministas, condenadas a trabalhos forçados nas colônias, lugares onde o nível de radiação é mortífero.

Offred tem 33 anos. Antes, quando seu país ainda se chamava Estados Unidos, ela era casada e tinha uma filha. Mas o novo regime declarou adúlteros todos os segundos casamentos, assim como as uniões realizadas fora da religião oficial do Estado. Era o caso de Offred. Por isso, sua filha lhe foi tomada e doada para adoção, e ela foi tornada aia, sem nunca mais ter notícias de sua família. É uma realidade terrível, mas o ser humano é capaz de se adaptar a tudo. Offred escreve em seu diário proibido: “A sanidade é um bem valioso: eu a amealho e guardo escondida, como as pessoas antigamente amealhavam e escondiam dinheiro. Economizo sanidade, de maneira a vir a ter o suficiente quando chegar a hora.”

Com esta história assustadora, Margaret Atwood leva o leitor a refletir sobre liberdade, direitos civis, poder, a fragilidade do mundo tal qual o conhecemos, o futuro e, principalmente, o presente. O conto da aia já foi transformado em filme, peça de teatro, ópera, audiolivro e dramatização radiofônica.

Olá pessoal!
A descrição já diz tudo que você precisa saber sobre o livro  e por isso nem vou me estender .
Eu tomei conhecimento do livro depois de assistir a série    “The Handmaid’s Tale” e queria me adiantar à segunda temporada, já que a primeira conta com 10 episódios e termina deixando milhões de perguntas a serem respondidas. Então, pesquisei e baixei o exemplar, porém, já lhes digo que o final é somente especulativo e não poderia deixar de ser acredito eu.

Foi uma leitura muito inquietante e depois que terminei tanto o livro quanto a série tenho visto comentários políticos e religiosos com outros olhos. A mim, serviu como retirada de uma trave nos olhos e aqui há uma ironia, sendo que o enredo de O Conto de Aia é sobre o poder dado aos homens com a total corroboração da religião.

É o que mais assombra neste livro é que as mudanças não aconteceram de um dia para outro, os sinais das mudanças estavam presentes antes mesmos de nossa personagem se tornar adulta.
É aquele tipo de pensamento que temos quando assistimos aos noticiários durante as eleições, por exemplo: “Ah! Fulano nunca vai ser eleito com esse tipo de discurso”
ou mesmo justificar comportamentos machistas porque fulano é idoso tem mais de 86 anos e esquecemos que esse idoso é dono de uma emissora. Sei lá, é uma coisa pra se pensar.

Bem, o que quero dizer é que este livro não é uma leitura fácil, gostosa, mas sim que é uma leitura perturbadoramente reflexiva.

Offred = “de Fred” nossa personagem (que outrora fora June) tinha emprego, marido e uma filha e é ela que nos dá um vislumbre do que foi o Governo e Sociedade Gilead.
As mulheres férteis eram consideradas apenas como receptáculos de espermas para garantir a perpetuação da espécie, essas eram as aias.

As Aias — Viviam nas casas dos comandantes e uma vez por mês no seu período fértil era estupradas em meio as pernas das esposas estéreis, não eram tocadas, não lhes dirigiam palavra alguma, eram somente objeto “sagrado” da fertilidade.
Só saiam para fazerem compras da casa em pares e não podiam manter nenhum tipo de conversa, eram constantemente vigiadas por homens armados denominados Olhos, guardiões, Anjos.
Todas as aias vestiam-se iguais, vestidos vermelhos e touca branca que pareciam cabresto, pois, lhes tiravam a visão periférica, assim também como nunca faziam contato visual com quem quer que seja.

Todas as mulheres usavam um tipo de uniforme os das esposas (mulheres dos comandantes) eram azuis. Os das Marthas (empregadas domésticas) eram verdes. Enfim, todos usavam uniformes de acordo com suas condições, inclusive os comandantes que se vestiam como patriarcas, símbolo de reverência, autoridade máxima.

A história nos é contada de forma não linear e não temos ideia de quanto tempo durou esse regime e quais ou tipo de sequelas foram deixadas. Mesmo durante o regime havia boatos de uma resistência que circulavam entre as aias com o nome “MayDay”

Estou ansiosa pela continuação da série que é bem fiel ao livro e curiosa de como vão terminar, já que o final do livro deixa para que o leitor o termine de fato.

Na série tem uma frase que talvez já nos dê uma ideia do poder da união:

"Nunca deveriam ter nos dado uniformes se não queriam que fôssemos um exército"

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48 anos até novembro, paulistana, louca por livros de terror, Thriller psicológico, policial, jurídico... Mas não dispensa outros gêneros. Também apaixonada por filmes e séries.

13 comentários :

  1. Oi Marcia!

    Tudo bem? Eu estou absolutamente LOUCA para ler esse livro faz um tempo. A premissa em função dessa questão da religiosidade acerbada e o como isso afeta a sociedade as mulheres. É algo tão atual!

    Eu não sabia que a história é narrada de forma não linear, isso em geral me irrita um pouco, mas acho que com uma trama tão interessante não vai ser um problema (ou pelo menos espero que não!) para mim.

    Beijinhos
    www.paraisoliterario.com

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  2. Oiii Marcia

    Pela resenha se nota facil o quanto é um livro tenso, reflexivo, daquele que tira a gente da zona de conforto e inquieta. De momento não sei se é meu tipo de leitura, ando na necessidade de ler coisas mais leves, quem sabe futuramente. Quanto à série, essa sim quero conferir em breve, parece ser uma ótima adaptação.

    Beijos

    www.derepentenoultimolivro.com

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  3. Olá!! :)

    Eu nunca tinha ouvido falar deste livro mas a tua resenha foi bem viva e com energia, pelo que fiquei bem curioso em fazer a leitura!

    Enfim, adoro quando o livro consegue ser inquietante, e ao mesmo tempo deixar nos a pensar! Que ótimo que tens tanta vontade de ler a continuação!

    Boas leituras!! ;)
    no-conforto-dos-livro.webnode.com

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  4. Olá! Agora sim, entrei no assunto dessa série que você mencionou no post, estava completamente perdido. Gostei da premissa desse livro, estou naquele momento de ler livros reflexivos e esse com certeza vai cair bem. Dica anotada!

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  5. Olá!
    Essa é uma história que tem uma carga de intensidade muito grande e pelo visto até choca o leitor em algumas passagens. Não sei se encararia essa leitura no momento, mas gostei de conhecer sua experiência com essa leitura.
    Beijos!

    Camila de Moraes

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  6. Oi Marcia, não conhecia o livro e nem a série que você citou. Gostei do livro, o enredo e a forma como você descreveu a história e as reflexões que ela trás me deixou interessada. Aliás, que frase de efeito esta que você deixou no final da resenha...
    Bjs, Rose

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  7. Olá, tudo bem? Vi os leitores falando super bem desse livro ultimamente, então deve ser mesmo uma leitura muito boa. Adorei a resenha e fiquei ainda mais curiosa!

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  8. Olá, tudo certo?
    Então Marcia, estou com "O Conto de Aia" aqui, eu adquiri e comecei a ler logo quando lançou o livro, mas não terminei a leitura para dar preferência aos livros das editoras parceiras, contudo o pouco que li gostei. Parabéns pela resenha, ficou muito boa!
    Abraço!

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  9. Olá!
    Quero MUITO ler esse livro, tem tudo a ver com meu gênero literário. E a proposta dele é fascinante. Pena que ainda não consegui comprar, quero fazê-lo pr poder em seguida assistir a série. Alguma coisa me diz que esse livro/filme será meu favorito do ano.
    Nizete
    Cia do Leitor

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  10. Olá, tudo certo?

    Também já li O Conto da Aia e outras obras da autora que é uma das minhas favoritas. É realmente uma leitura que a gente faz para refletir, afinal não é fácil, e nos assusta muito com as similaridades com nosso mundo atual que pode caminhar para algo similar e é isso que mais gosto na ficção especulativa: a oportunidade de mudarmos nossas realidades através de uma especulação. Adorei a sua resenha, está muito completa. A série ainda não vi, mas deve tá ótima, já que alçou o nome da autora para o mundo todo.

    att,
    Pedro Silva
    www.decaranasletras.com

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  11. Eu ando vendo muitas pessoas lendo essa história e cada vez mais o meu interesse em ler também aumenta! Parece ser muito bom e, como você disse, parece que foi escrito bem mais atual do que em 85! Meu interesse em ler aumentou ainda mais! Os Delírios Literários de Lex

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  12. Oie
    eu vi muitos comentários do livro e já estava mega curiosa até um amigo meu me indicou a série que tem do livro, e parece realmente ser uma experiência unica o conhecimento dessa história tão forte, gostei muito da sua resenha, o livro ja esta na minha lista e espero com certeza ler em breve e amar

    beijos
    http://www.prismaliterario.com.br/

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  13. Esse livro é assustadoramente real, eu não duvido que num futuro isso possa ocorrer, até porque o papel da mulher continua como sempre sendo o de ''dona de casa'' e ''incubadora'', eu adorei a obra por ser justamente isso, critica e real.

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Obrigada pela visita!. ♥♥
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