segunda-feira, abril 09, 2018

Leo Vieira: Por que as Editoras Investem em Livros Estrangeiros?


Porque existe um esquema de marketing e distribuição muito complexo. Vou citar alguns exemplos:
Nos quadrinhos, a Mônica dá uma surra (de coelhada!) na Disney, Marvel e DC juntas (86% das vendas de gibis), enquanto nos cinemas, animação e licenciamento de brinquedos, não podem nem ficar perto.
O último filme da Mônica ("Aventura no Tempo- 2007) no cinema deu prejuízo e segundo o Maurício de Sousa, "foram milhões que foram pelo ralo". Isso num período cheio de desenhos da Disney e Dreamworks.
Nesse ponto de vista é melhor as empresas lançarem brinquedos de quem? Por que um parque de diversões catarinense (Beto Carrero World) resolveu investir em atrações e personagens estrangeiros (Dreamworks)?
O que eu quero dizer é que existe um esquema de preparo que muitos não conhecem e (infelizmente) nem querem conhecer.
Para um livro ser distribuído em várias livrarias, o lote mínimo varia entre 3 mil e 15 mil livros. Essa grana uma editora só banca se o livro tiver o balanço da alta venda no seu país de origem. É por isso que existem tantos livros estrangeiros e que vendem muito.
Há um esquema de preparação, marketing e administração muito complexo e muitos escritores não têm a mínima ideia.
Se você conseguir provar que vendeu 5 mil livros em um mês em várias escolas, eventos e feiras de forma independente, com certeza uma editora vai aparecer e te convidar para tomar um cafezinho e falar de negócios.
O autor nacional tem que se esforçar muito, divulgando sua obra, para que venda. E também para obter o reconhecimento.
Leo Vieira






® Leo Vieira- Direitos Reservados


ESCRITOR (romances, contos, crônicas, composições musicais e roteiros [com filiações e reconhecimentos acadêmicos]), ATOR (teatro e dublagem [com DRT]), ILUSTRADOR (personagens próprios, quadrinhos independentes e desenho animado), e PRODUTOR CULTURAL (feiras literárias). Sua formação é teológica; atualmente está estudando Pedagogia (faculdade), Jornalismo, Cinema e Marketing (por conta própria).

11 comentários :

  1. Está aí um tema interessante para se ter abordado por aí.

    Gostei do post.

    Beijos.

    www.alempaginas.com

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    1. Obrigado, Karini. O seu blog é excelente.
      Beijos,
      Leo Vieira

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  2. Editora é uma empresa como qualquer outra e o seu produto precisa ser vendido, entendo o porquê de tantas editoras investirem mais em livros estrangeiros, porém tenho visto cada vez mais os autores nacionais ganhando espaço no dentro do mercado editorial - mas, claro, para se chegar às grandes editoras é preciso mostrar resultados de venda.

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    1. Oi, Beatriz! eu acho que são muitos fatores.
      Em uma feira literária em que eu fui coordenador adjunto, os que venderam mais livros foram os mais simpáticos. Isto é, não adianta escrever uma obra maravilhosa com uma capa exuberante, se o autor não tiver simpatia para cativar o leitor; ele dificilmente arrematará um bom negócio.
      Além de ser comunicativo, ele também precisa ser inteligente, articulado, ter boa aparência, etc.
      Há um colega que também é músico que vendia o seu livro infantil em escolas, além de fazer uma apresentação das musiquinhas próprias. Ele inclusive postava as fotos do circuito. Se ele mantivesse o foco e ritmo de vendas e publicações, é claro que uma editora o procuraria.

      Hoje em dia observo alguns escritores mimizentos cheios de picuinhas, achando um absurdo escrever e investir em autopublicação. Querem que tudo caiam do céu e o cacete. Realmente seria maravilhoso um escritor publicar e todas as centenas de amigos comprarem um exemplar, mas seria utópico. Eu mesmo dificilmente compraria.
      O cotidiano e também a idade passando vai me fazendo amadurecer e aceitar que as coisas não andam como eu queria que fosse. Mas nem por isso vou recuar ou me revoltar.
      Beijos,
      Leo Vieira

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  3. Olá!
    Acho que como empresa as grandes editoras precisam vender e apesar de termos muitos autores bons aqui no Brasil ganhando espaço dentro de grandes editoras, la fora a quantidade é assombrosa.
    Sinceramente acho que é uma mercado em ascensão e quanto mais se vende mais eles são procurados.
    Mas cada casa tem uma política então só torço pra que sejam valorizados de forma igual.
    Beijos!

    Camila de Moraes.

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    1. Oi, Camila. Existem muitos, mas muitos talentos perdidos por aí. Pessoas talentosas, obras maravilhosas e muitas preciosidades a serem descobertas. Tudo tem o momento certo também.
      Beijos,
      Leo Vieira

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  4. Olá, tudo bem Leo?

    Então cara, você levantou alguns questionamentos interessantes, por outro lado, os gêneros literários que eu gosto (Ficção Histórica, Ficção Científica, Fantasia, Thriller e Terror) o que tem de bom está fora do país mesmo, aqui é difícil achar autores competentes no gênero e quando acho são poucos. Não há como comparar autor de ficção científica nacional com um Isaac Asimov, Arthur C. Clark, Philip K. Dick. De ficção histórica Bernard Cornwell é o melhor que há no mercado, sem contar que é basicamente tudo com ambientação medieval e o cara é historiador, faz uma longa pesquisa..não é apenas fruto da sua imaginação e criatividade os seus livros!
    Abraço!

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    1. Realmente, amigo. Alguns escritores iniciantes têm até essa ingenuidade de achar que deve vender tanto quanto eles somente por escrever algo inspirado. Lembra da onda do Crepúsculo? Lançaram dezenas de livros parecidos (menina sonsa que se apaixona por um esquisitão narcisista excêntrico e depois descobre que ele é um vampiro!). O mesmo hoje é com o 50 Tons de Cinza (mocinha sonsa que se apaixona por um rico tarado e aceita ser submissa a ele e o enredo cheio de descrições chulas). Nesse ponto, é claro que as editoras vão abrir espaço, porque o potencial de vendas fala mais alto do que a qualidade literária. Não que seja ruim, mas o mais importante é garantir o balanço e a folha de pagamento dos funcionários.
      Abraços,
      Leo Vieira

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  5. Olá!
    Esse é realmente um tema muito interessante de ser discutido! Especialmente porque, finalmente, as obras nacionais começam a ganhar mais espaço (pelo menos é o que observo no grupos de leituras que participo). Assim como o autor que luta para ter a visibilidade que merece, acho que, como leitores, somo fundamentais para recomendar esses livros. E nos blogs isso fica cada vez mais claro. É uma luta constante, especialmente para os autores nacionais, mas cada pequena vitória merece muito ser comemorada.
    Abraços

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    1. Oi, Fernanda. Ultimamente as prateleiras ganharam muito espaço de autores nacionais. Eu não creio que o critério tenha sido somente os blogs e as redes sociais, mas o que dá a entender é que as obras chegaram rápido nas mãos de avaliadores que detectaram o potencial positivo de vendas. E esse trabalho que vocês blogueiras fazem é maravilhoso para isso. Um livro realmente bom ganhará o seu espaço um dia. Tudo isso tem que ser comemorado.
      Beijos,
      Leo Vieira

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  6. Existem muitos fatores para serem abordados entre eles o nosso próprio preconceito diante de nossos autores. É engraçado mas apesar de termos autores maravilhosos, alguns não conseguem ser acessíveis aos leitores. E com marketing pesado que os estrangeiros recebem, acaba sendo mais viável financeiramente para editoras.
    Bjs Rose

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