segunda-feira, setembro 10, 2018

Leo Vieira: Cuidado Com "Apologias"


Um assunto polêmico e delicado que tem que ter muita sutileza ao comentar. Eu sou da época em que podia se fazer piada sobre tudo. Existia as "piadas de bicha", as piadas de português, as piadas de sogra, as piadas machistas, as piadas de gordo, piadas de religião, etc. Mas há uma diferença muito grande naquela época para hoje.
Na minha época (década de 1980 e 1990), quando não se tinha internet, as piadas eram direcionadas para um público muito restrito. Os livrinhos tinham a legenda "proibido para menores de 18 anos" e os discos tinham a legenda "proibido exibição pública". Nos shows de humoristas, não entravam adolescentes e dificilmente algo era filmado ou gravado sem permissão. No máximo, fotografado.
O humor é a arte focada em sua auto-ridicularização ao público, como fazer piada da sua própria estética, da sua situação financeira, etc. Se você está fazendo chacota do peso, aparência, situação financeira de outra pessoa, você está se comportando como completo estúpido.
Não é engraçado querer fazer humor como se o alvo em questão fosse hediondo, inferior ou pejorativo. Já notou como existe preconceito com pessoas por causa de sexo, raça, religião e/ou orientação sexual? e já notou como existe inimizade, revolta e depressão em consequência disso? E você ainda vai corroborar com tudo isso através de uma "brincadeira"?
Portanto, muito, mas muito cuidado com o que você posta na internet e/ou em seus livros. Senão o seu texto se transformará numa sentença de morte para a sua carreira literária (além um processo básico).
E não adianta resmungar o defasado "ah, mas na minha época não era assim"... É claro que não! As pessoas mudam (alguns pra pior) e se não fosse assim, nem mesmo seria preciso desenhar a questão num texto como este.
Leo Vieira


® Leo Vieira- Direitos Reservados

ESCRITOR (romances, contos, crônicas, composições musicais e roteiros [com filiações e reconhecimentos acadêmicos]), ATOR (teatro e dublagem [com DRT]), ILUSTRADOR (personagens próprios, quadrinhos independentes e desenho animado), e PRODUTOR CULTURAL (feiras literárias). Sua formação é teológica; atualmente está estudando Pedagogia (faculdade), Jornalismo, Cinema e Marketing (por conta própria).

4 comentários :

  1. Oi Léo, sinceramente? Acho que em determinados casos ha um certo exagero em colocar tudo como se fosse bullying. Já cheguei a ouvi uma psicóloga dizer que não era bom deixar nossos filhos verem o desenho do Pica-Pau, pois o pássaro ensinava a ser maldoso. Desculpe, cresci vendo este e outros desenhos e não me tornei uma pessoa maldosa. Outra questão, sempre fui a 4 olhos, Olivia Palito e CDF (atual nerd), claro que irritava, nem sempre estávamos com bom humor para tirar de letra, mas o que realmente falta hoje em dia em muitos casos é auto-estima. Como no caso de uma guria obesa que sofria bullying por conta do peso, e acredite ou nao, de outro obeso como ela. Piada e chacota são coisas diferentes e querer nivelar tudo no mesmo nível não dá. Claro que usar uma característica de alguém para diminui-la não é certo, mas e preciso saber enfrentar em vez de baixar a cabeça e chorar por sofrer discriminação.
    Bjs Rose

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Rose. Obrigado pelo comentário.
      Entendo o seu posicionamento e inclusive sustentei por muito tempo essa mesma opinião. Permita-me explicar mais:

      Sobre o "certo exagero em colocar tudo como bullying", acontece que na nossa infância tudo era muito diferente. Os coleguinhas que eram zoados não ficavam complexados, depressivos nem levavam arma pra escola por conta disso. Isso era na nossa época. Outra geração.
      Volta e meia é noticiado meninas que morrem por suicídio ou bulimia e também meninos que agridem e matam em consequência de bullying.
      O Pica-Pau fazia peripécias com tanque de gasolina, armas, navalha, tijolo, faca, mas isso também era em outra época (há quase 80 anos!). O controle está maior na censura dos novos desenhos e games.
      As crianças de hoje não têm a mesma cabeça que as crianças da nossa época.

      A gente vê estatísticas preocupantes por aí. Depressão, bulimia, ansiedade, agressão, assassinato, atentados, assédio moral e sexual; estupro, pedofilia, suicídio, entre outras atrocidades imensamente incomuns do que em quem teve infância em 1980/1990.
      Os deslizes e surtos psicológicos e psiquiátricos de hoje na sociedade são preocupantes e alarmantes. Psicopatia, sociopatia e esquizofrenia nunca foram tão comentados quanto nos tempos de hoje.

      Nessa mesma linha de raciocínio, há o aumento do nível de infidelidade, divórcio,
      inconstância matrimonial, deturpando o desenvolvimento da família, corroborando para uma geração mais rebelde, reativa, afrontosa, agressiva e maliciosa. Resultando numa geração de pais psicologicamente e emocionalmente fracos; Homens pais de família irresponsáveis e imaturos. Mulheres mães de família que se transformam em mães dos próprios maridos.
      Lembra do programa Super Nanny? A maioria dos problemas das crianças rebeldes eram os pais que eram problemáticos e com maus hábitos.
      Família desequilibrada acaba gerando filhos psicologicamente mais frágeis.
      Já viu como está cada vez mais complicado ser professor no Brasil? Alguns pedagogos e psicopedagogos já estão saturados. Pode parecer exagero o meu levantamento, mas lá fora existe um histórico em estatística que confirma que esta geração está muito afetada e prejudicada e a solução é muito mais complexa do que simplesmente ter auto-estima.
      Beijos,
      Leo Vieira

      Excluir
  2. Olá, boa reflexão. Concordo mesmo que os tempos mudaram e com a internet tudo toma uma proporção muito maior, o que nos exige mais atenção ao que falamos ou escrevemos. As "minorias" ridicularizadas antigamente, atualmente possuem muito mais voz para combater e questionar comentários antes tidos como humorísticos mas que só perpetuavam preconceitos e discriminações.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Mari! Obrigado pelo comentário.
      A internet é uma bomba-relógio. O que pode ser engraçadinho numa mesa de bar pode ser extremamente preconceituoso se fosse postado na internet. Há algum tempo um youtuber perdeu uma porção de contratos milionários, ganhou processos e viu a sua carreira virar fumaça após postar um trocadilho preconceituoso. E mesmo ele tentando explicar por A + B que ele não tinha intenção alguma, o público reagiu ainda com mais violência.
      No nosso meio literário, aconteceu algo também com alguns escritores. E não adianta depois falar que foi hackeado ou que estava tomando remédio tarja preta que isso não cola mais.
      Beijos,
      Leo Vieira

      Excluir

Obrigada pela visita!. ♥♥
Tem um blog? Deixe seu link que visitarei sempre que possível.
Comentários ofensivos serão apagados!