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Biografia de Arthur Schopenhauer


Arthur Schopenhauer
* Danzig, Prússia, atual Gdansk, Polônia – 1788 d.C
+ Frankfurt, Alemanha – 1860 d.C
Cada um fugirá, suportará ou amará a solidão na proporção exata do valor da sua personalidade. Pois, na solidão, o indivíduo mesquinho sente toda a sua mesquinhez, o grande espírito, toda a sua grandeza; numa palavra: cada um sente o que é.Aforismos sobre a Sabedoria da Vida

Filósofo polonês considerado de pensamento anti-histórico, o criador da filosofia pessimista,
por sua oposição tenaz a Hegel, o pensador da história. De família rica, estudou nas
universidades de Göttingen e Jena, onde formou-se (1813). Tornou-se professor em Berlim
(1820) e ali passou a atacar asperamente Hegel, então o filósofo mais influente da Alemanha.
Isolado retirou-se para Frankfurt (1831), onde levou vida solitária, totalmente desconhecido
como escritor e filósofo.
Só cerca de vinte anos depois, numa época de decepção geral na Europa, sua filosofia
pessimista começou a chamar a atenção e suas obras foram traduzidas em várias línguas e
criando uma escola filosófica denominada de schopenhauerianos, de grande importância na
Alemanha e França.
Seus principais livros foram Die Welt als Wille und Vorstellung (1819) e Parerga und
Paralipomena (1851).
Arthur Schopenhauer, filósofo pessimista em sua visão do mundo, considerou ser a Vontade a
última e mais fundamental força da natureza, que se manifesta em cada ser no sentido da sua total realização e sobrevivência. Iniciou estudos de medicina na universidade de Gottingen,
mudando depois para filosofia, na universidade de Berlim.
Sua tese Vierfach Wutzel der Zats uber zurechern Grund ( “Sobre a quádrupla raiz do princípio
da razão suficiente”) foi escrita em 1813. O difícil convívio com sua mãe com certeza marcou
sua personalidade mas ela lhe permitiu conhecer intelectuais como Goethe (1749-1832), que
freqüentavam sua casa em Weimar, centro da vida cultural alemã em sua época. Com a
herança recebida do pai pôde viver sua vida de solteiro com relativo conforto e inteiramente
entregue ao seu trabalho intelectual. Seu livro mais conhecido, Die Welt als Wille and
Vorstellung (”O Mundo como vontade e representação”) apareceu em 1818.
 Formação
Arthur Schopenhauer nasceu a 22 de fevereiro de 1788 em Gdansk, na Polônia, cidade que
depois passaria à Prússia como Danzig, e voltaria a ser Gdansk após a Segunda Guerra Mundial.
Sua mãe, Johanna, foi escritora, e seu pai Heinrich Floris Schopenhauer, foi negociante e era
um homem irascível e dominador. Quando em 1793 Gdansk passou à Prússia, a família mudouse
para Hamburgo.
Ao final de sua infância Schopenhauer viveu por perto de dois anos (1798/1800) no Havre de
Grâce, França, em casa de um comerciante amigo de seu pai. No retorno a Hamburgo estudou
em uma escola particular de comércio as doutrinas econômicas dos iluministas. A idéia era que
ele continuasse as especulações financeiras do pai.
Com 15 anos acompanhou os pais em viagem pela Europa, em um giro contrário aos ponteiros
do relógio: Bélgica, França, Suíça e Áustria. Seus biógrafos salientam que ficou impressionado
com a prisão de Bagno, em Toulon, na França, que reunia seis mil galés, um quadro de miséria
humana que pode ter contribuído muito para o seu extremo pessimismo.
Passou à prática comercial, ao falecer seu pai em 1805. Este suicidou aos 58 anos,
aparentemente por problemas mentais de fundo genético (sua progenitora havia morrido
louca) e prejuízos financeiros. A mãe, viúva aos 38 anos, e a irmã do filósofo foram para
Weimar. Ele permaneceu em Hamburgo para cuidar de negócios e somente em maio de 1807
foi juntar-se à família em Weimar.
Em 1809 Matriculou-se na escola de Medicina da Universidade de Göttingen. Porém desistiu
da medicina e passou à filosofia e Letras (humanidades) no 2o semestre. Trocou Göttingen por
Berlim no outono de 1811, e lá foi aluno de Fichte e de Friedrich Schleiermacher um dos pais
da moderna teologia. Agradaram-lhe mais as aulas de Friedrich August Wolf. Estudou Platão e
Kant e teve a influência de Gottlob Ernst Schultze, autor de Aenesidemus, crítico do kantismo.
Devido à guerra, deixa Berlim para viver em uma hospedaria em Rodolstadt. Termina sua tese
“Vierfach Wutzel der Zats uber zurechern Grund ( “Sobre a quadrupla raíz do princípio da
razão suficiente) que apresenta na Universidade de Jena em 1813
 Período em Weimar
Schopenhauer não aprovava a conduta da mãe e as relações entre os dois ficaram difíceis,
quando ele se juntou à família em Weimar. Ele não quis morar sob o mesmo teto que ela e ia à
sua casa apenas quando ela dava recepções. Ainda assim, as censuras e as acusações mútuas,
ela de que ele era arrogante e presumido, ele reprovando seu comportamento livre, acabaram
por levar a uma rutura definitiva entre mãe e filho. Uma pequena mostra dessa arrogância é
muito citada: Schopenhauer teria dito que ela seria conhecida no futuro não pelo que ela
escreveu, mas pelo fato de ter sido a mãe dele.
Em uma de suas discussões a mãe o empurrou escada abaixo. No entanto, foi nas reuniões de
que participou em casa de sua mãe que Schopenhauer conheceu as figuras mais importantes
da cidade, inclusive Goethe, que podia levar consigo a amante Christiane, recusada em casa de
seus outros amigos.
No inverno de 1813-1814 trabalhou com Goethe em um artigo sobre as cores, Über des Sehen
und die vorstellung (”Sobre a visão e as cores”) apoiando as idéias de Goethe contra Newton,
que seria publicado em 1816..
Além de Goethe, Schopenhauer conheceu em Weimar a Johan Gottfried Herder, o clérigo
então célebre por haver liderado o movimento Sturm und Drang; o discípulo de Herder,
Friedrich Maier, que o introduziu na filosofia hindu, e ao poeta Christoph Martin Wieland, que
publicava a prestigiosa revista literária “Mercúrio alemão”. Goethe reconhecia seu talento
para a investigação filosófica. Também conheceu – e apaixonou-se por ela -, a cantora Karolina
Jagemnn, amante do Duque Carlos Augusto, e inimiga de Goethe.
Em maio de 1814 rompeu definitivamente com sua mãe e foi viver em Dresden. Depois que
deixou Weimar, nunca mais procurou por ela nos 24 anos que ela ainda viveu.
 Período em Dresden
Schopenhauer haveria de passar alguns anos em Dresden. Lá colaborou ocasionalmente no
periódico Dresdener Abendzeitung (”Jornal vespertino de Dresden”) e se tornou amigo do
filosofo panteísta K G F Krause com o qual podia discutir filosofia oriental; terminou seu artigo
sobre as cores, iniciado com Goethe, e publicado em 1816, e esteve ligado a uma mulher.
Nos três anos seguintes escreveu sua obra principal Die Welt als Wille and Vorstellung (”O
Mundo como vontade e representação”) que seria publicado em 1819.
A obra está dividida em quatro livros. O primeiro trata da teoria do conhecimento, iniciando-se
por Kant, para quem o mundo só é conhecido em sua aparência, e pelos fenômenos que
relacionam as coisas entre si.
No livro II, trata do homem, do sujeito que conhece os fenômenos, conhece a si mesmo
externamente, mas não pode conhecer sua própria essência. No entanto o homem pode
conhecer a Vontade, que é algo em si mesma, independente de aparências. E conclui que essa
“coisa em si” é a essência e a força não apenas do homem mas de todo o universo, e sua
permanente insatisfação é a causa de todos os males.
Nos livros III e IV Schopenhauer desenvolve suas idéias sobre Ética e Estética. As artes
permitem ao homem viver momentos em que está livre da Vontade. Classifica as artes
segundo esse poder: Arquitetura é a menos capaz de dar essa liberdade, e a música é a mais
libertadora de todas, ultrapassando a poesia. A superação definitiva da vontade, no entanto,
tem por único caminho renunciar ao individualismo, compadecer-se do sofrimento alheio e
viver como os gênios e os santos, uma vida de ascetismo e desprendimento.

Maturidade

Em 1819 Schopenhauer fez uma viagem a Itália. Em Veneza teve uma amante, chamada
Teresa. Desta viagem ficou registrado um incidente: passeando com a amante, esta mostrou

incontida admiração pela figura do poeta inglês Byron, que estava na cidade e passou pelo  casal no cavalo a galope. Por ciúme Schopenhauer não procurou pelo poeta, para o qual tinha
uma carta de apresentação de Goethe.
Após sua viagem à Itália, em 1820, Schopenhauer fez concurso para professor da Universidade
de Berlim. Hegel fez parte da banca examinadora. Obteve o lugar na Universidade e começou
uma competição com Hegel pelos alunos que pagariam seu salário. Conseguiu apenas nove
estudantes. Ficou dois anos ligado à Universidade mas somente lecionou no 1 semestre do
primeiro ano. Os estudantes preferiam as aulas de Hegel.
De índole beligerante e cheio de ressentimentos, a partir de então Schopenhauer combateu
implacavelmente Hegel e seus colegas amigos daquele filósofo, inclusive Schelling e Fichte,
chamando-os fanfarrões e charlatães, e atacou os professores de filosofia em geral no seu
ensaio “Sobre a filosofia na universidade”. Depois de uma segunda viagem à Itália (1823 e
1824), foi por um ano professor em Munique. Traduziu então “O oráculo manual”, do jesuíta
espanhol Baltazar Gracián, cujo estilo autoritário e abundante em máximas morais ele
admirava.
A partir de 1831 passou a residir em Frankfurt on Main.
Um seu biógrafo conta que Schopenhauer havia herdado uma participação na firma do pai e a
renda que isso lhe proporcionava permitiu-lhe viver com relativo conforto. Comenta que ele
investiu seu dinheiro com uma sabedoria que não condiz com um filosofo. Quando uma
empresa da qual ele havia adquirido ações faliu, e os outros credores concordaram com um
acerto na base de 70%, Schopenhauer lutou pelo pagamento integral, e ganhou. Ficou com o
suficiente para alugar dois quartos numa pensao; ali viveu os últimos trinta anos de sua vida.

Últimos anos

Sempre sustentado por rendas com origem na herança recebida do pai, quando não estava
escrevendo despendia o tempo em observações no Museu de Ciências Naturais, freqüentava
teatros e concertos, ocupava-se da leitura dos clássicos, de mestres espanhóis e literatos
franceses, e mantinha pouco contacto social. Sem nenhum amigo, tinha por companheiro um
cachorro, um pequeno poodle ao qual deu o nome de Atma (o termo brâmane para indicar a
Alma do Mundo), mas os galhofeiros da cidade o chamavam de “Schopenhauer Júnior”.
Caminhava solitário com seu cachorro e falava sozinho na rua, em seus passeios ao fim da
tarde.
Jantava, em geral, no Englischer Hof. No inicio de cada refeição, colocava uma moeda de ouro
sobre a mesa, à sua frente; e ao final tornava a colocar a moeda no bolso. Foi, sem dúvida, um
garçom intrigado com esse gesto que lhe perguntou o significado daquela invariável cerimônia.
Schopenhauer respondeu que era sua aposta silenciosa, com a promessa de depositar a
moeda na caixa de coleta de esmolas no primeiro dia em que os oficiais ingleses que jantavam
lá falassem sobre outra coisa qualquer que não fosse cavalos, mulheres ou cachorros.
Em 1836 publicou Über der willen in der Natur (”Sobre a vontade na natureza”), um
complemento ao 2o. livro do Die Welt buscando demonstrar que as descobertas das ciências
naturais corroboravam sua teoria da vontade. No prefácio ataca Hegel e seus adeptos. No ano
seguinte recebeu um prêmio da Sociedade de Ciências da Noruega pelo Über die Freiheit des
Menchlichen willens (”Sobre a liberdade da vontade dos homens”), que depois foi publicado
em 1839. Concorreu, mas perdeu, ao prêmio da sociedade de Ciências da Dinamarca com Über
des fundament der Moral” (”Sobre os fundamentos da Moral”) publicado em 1840,
complemento ao 4o. livro do Die Welt. Finalmente reuniu o 4o livro do Die Welt com o Uber
des fundament em um único Die beiden grandproblem der Ethik (”Os dois problemas
fundamentais da Ética”) publicado em 1841.
Em 1848 condenou a revolução como uma erupção da natureza primitiva do homem.
Teve alguns discípulos. Um deles, Julius Francenstadt, conseguiu que um editor de Berlim
publicasse seu último livro, o qual fora rejeitado por 3 outros editores, o Parerga und
Paralipomena ( significa “Acessórios ou trabalhos menores” e “Remanescentes”), de 1851. O
livro teve um inesperado sucesso e contribuiu para tornar o filósofo conhecido. Em 1853 John
Oxenford, um crítico inglês, escreveu um artigo no Westminster Review contra Hegel usando
elementos da filosofia de Schopenhauer o que contribuiu para sua fama.
Wagner lhe enviou “O Anel de Nibelung em 1854, com a dedicatória “com veneração e
gratidão”. Nesta obra, uma tetralogia, o compositor alemão expressa seus fortes sentimentos
pelo nacionalismo alemão, o socialismo internacional, a filosofia de Schopenhauer, o budismo
e o cristianismo. Em Bhon e Breslau eram dadas aulas de sua filosofia. Foi comparado ao poeta
pessimista italiano Conde Giacomo Leopardi, e recebeu a visita do dramaturgo Friendrich
Hebbel e do estadista francês Foucher de Careil. Em 1858 a Academia Real de Ciências de
Berlim ofereceu-lhe o título de membro, que ele recusou.
Em 1859 saiu a 3a. edição do Die Welt, em 1860 a segunda edição do Ethika. Faleceu em 21 de
setembro de 1860 de mal súbito.
Pensamento

Platão e Kant

Schopenhauer assume a doutrina de Platão de que os objetos do mundo não eram mais que
aparências, meras sombras das coisas verdadeiras, as quais o homem não podia conhecer
neste mundo, feito todo ele de representações imperfeitas. Para Platão as coisas perfeitas e
absolutas existiam no mundo das idéias, onde as almas, antes de se encarnarem nos corpos,
puderam vislumbrá-las. No mundo das idéias existe a beleza total e completa, mas coisas belas
do mundo eram belezas incompletas, eram apenas representações imperfeitas da verdadeira
beleza, que estava fora do alcance e da compreensão do homem. No entanto Schopenhauer
pondera que existe uma coisa absoluta que o homem conhece totalmente: a vontade.
Analisando minuciosamente também a Kant, Schopenhauer objeta que a Vontade também
escapa à sua doutrina. Também Kant havia dito que conhecemos os fenômenos que nos
revelam as coisas, mas não as conhecemos em si mesmas, totalmente. Disse que nosso
conhecimento está preso a certas fórmulas de apreensão da realidade e que só podemos
elaborar o conhecimento de modo limitado segundo quatro grupos de formas ou de categorias
de intuição: o de quantidade, o de qualidade, o de relação e o de modalidade.
Esses grupos de categorias totalizam doze categorias, entre elas, por exemplo, a de
pluralidade, ou seja, a percepção de que uma coisa é única ou múltipla, dentro do grupo das
categorias de quantidade. Assim também se dá com a categoria de causalidade, uma forma de
relação, segundo a qual nós podemos dizer que uma coisa é a causa de uma outra, não apenas
porque vemos uma sucessão de eventos, mas porque também somos capazes de conceber
uma vinculação de causa e efeito.
Kant disse mais que, primeiramente, tudo que sabemos são coisas que se sucedem no tempo e
se distribuem no espaço. Espaço e tempo precede, portanto, as 12 categorias, uma vez que
não sabemos de nada que não esteja no espaço, real ou imaginário, ou que não esteja no
tempo. A aquilo que podemos conhecer Kant deu o nome de fenômenos, e para o que existe
sem que possamos conhecer, deu o nome de nôumeno que significa, a coisa não aparente,
incognoscível, que se costuma dizer também que é “a coisa em si”.
Em sua crítica a Kant Schopenhauer diz que existem coisas que conhecemos sem nos valermos
de qualquer das 12 categorias, e que também não dependem do tempo e do espaço: a
consciência e a vontade.
A Vontade


Para descobrir a “coisa em si”, Schopenhauer voltou sua atenção para o próprio homem, que
também é uma coisa no universo. É verdade que o homem somente pode conhecer seu corpo
como fenômeno, como aparência, segundo o tempo e o espaço e as categorias. Porém,
voltando-se para o seu interior, já não precisa de tempo nem de espaço para sua consciência.
Esta é atemporal e pontual. A vontade, por sua vez, representa o querer viver, é o querer
realizar-se. A vontade é uma coisa em si mesma, irredutível a qualquer outra coisa, sem causa,
independente do tempo e do espaço, e das categorias.
A vontade não se desloca e se extingue passando da coisa desejada para a coisa conquistada, a
vontade quer sempre, é avassaladora, é sem sentido. Toda a vida é sofrimento porque é um
constante querer eternamente insatisfeito, que leva ao amor, ao ódio, ao desejo ou à rejeição.
Para Schopenhauer a Vontade estava presente no mundo como se fosse a própria alma do
universo, e era a força total pela qual o mundo existia e se movia. Ele fez da vontade um ser à
parte, que se manifestava em toda a natureza como o substrato de todas as coisas. A vida é a
manifestação da vontade. Schopenhauer considera como materialização, realização em força
ou materialização da vontade, todas as forças e objetos da natureza como a gravidade, o
magnetismo, os instintos animais, as forças de reação química, etc.
Schopenhauer elimina Deus, e em seu lugar coloca uma “vontade universal” que é a força
voraz e indomável da própria natureza. A vontade aqui nada tem a ver com a decisão racional
por uma opção de agir, mas trata-se de um ser absoluto, essência primeira, a coisa em si, o
noumeno, que é irredutível e gera todas as coisas deste mundo, Essa fome insaciável da
Vontade faz o mundo anárquico e cruel. Essa vontade, que é também um substrato, a coisa em
si, no homem, é responsável pelos seus apetites incontroláveis. Ao final o homem encontra a
morte, o golpe fatal que recebe a vontade de viver, como se lhe fizesse a pergunta: Você já
teve o bastante?
 Ética

Não contem a noção de dever mas a noção  de renúncia. Schopenhauer propõe uma santidade
cristã que é mio caminho para o nirvana hindu. No homem a vontade é algo de que ele tem
consciência como vontade de viver e ao mesmo tempo consciência de permanente
insatisfação com o que ele é (segundo conhecimento, depois do conhecimento da vontade, é o
da sua insatisfação) com o que faz, de modo que a única salvação é a superação da vontade de
viver.A única salvação definitiva é a superação da vontade de viver. Para anular a vontade: a renúncia, como fazem os santos, e o nirvana da filosofia hindu (budismo e bramanismo) A
vontade é constante dor. Isto faz que a filosofia de Schopenhauer seja um rigoroso
pessimismo.
 Ciência

A incursão que Schopenhauer fez na ciência foi tão desastrada quanto a de Goethe, seu
mentor em Weimar. Schopenhauer não aceitou a teoria das ondas de luz e a nova física da
eletricidade desenvolvida por Thomas Young (1773-1829) e Michael Faraday (1791-1867.
Preferiu a teoria das cores formulada por Goethe, com cuja ajuda havia escrito o “Sobre a
visão e as cores”, de 1816, baseado no Zur Farbenlehre (”Teoria das cores” – 1810) escrito pelo
poeta, que ignorou os achados pioneiros da ciência de sua época nessa área, notadamente as
descobertas de Newton. Era também adepto da teoria da geração expontânea dos seres, que
Pasteur viria de destruir pouco depois.
Ao dar a Vontade como propulsora da evolução dos corpos, Schopenhauer pareceu a muitos
um seguidor da Teoria da Evolução na linha do pensamento de Lamarck. Porém, Schopenhauer
concebe a Vontade em seu sistema como algo sem nenhuma meta ou finalidade, um querer
irracional e inconsciente, cujo único móvel é meramente o de se impor de alguma forma e se
perpetuar.
 Psicanálise
A visão pessimista que Schopenhauer tem do mundo influenciou vários filósofos depois dele,
notadamente Sartre. A sua influência mais forte deu-se, porém, sobre Nietzsche, Freud, e o
compositor Richard Wagner.
O Die Welt als Wille and Vorstellung (”O Mundo como vontade e representação”) revela que
um grande número dos postulados mais característicos em Freud foram pensados por
Schopenhauer. E o mais importante, Schopenhauer articula a maior parte da teoria freudiana
da sexualidade. Na psicanálise de Freud se pode encontrar um espelho da própria doutrina da
Vontade de Schopenhauer. Sua teoria dos apetites inspirou a Freud sua teoria dos instintos e
de que o sexo é essa vontade soberana. Alguns críticos de Freud chegam a dizer que este não
fez muito mais que desenvolver na Psicanálise as idéias de Schopenhauer, a começar pela sua
teoria dos instintos os quais correspondem perfeitamente à vontade opressora que dirige as
ações do homem, e de modo total, não apenas no instinto sexual (eros) como também no
instinto de morte (tanatus).
O conceito de “Vontade” de Schopenhauer contem também os fundamentos do que viriam a
ser os conceitos de “inconsciente” e “Id” da doutrina freudiana. A vontade como coisa
absoluta e auto-suficiente, tem ela própria “desejos”. Quando se manifesta na forma de uma
criatura ela busca se perpetuar por via dos meios de reprodução dessa criatura. Por isso o sexo
é básico para a vontade perpetuar a si própria, diz Schopenhauer no volume II do Die Welt.
Resulta que “o impulso sexual é o mais veemente de todos os apetites, o desejo dos desejos, a
concentração de toda nossa vontade”.
O que Schopenhaur escreveu sobre a loucura antecipou a teoria da “repressão” e a concepção
da etiologia das neuroses na teoria da Psicanálise de Freud. A psicologia em Schopenhauer
também contem aspectos do que veio a ser a teoria fundamental do método da livre
associação de idéias, utilizado por Freud..
Quando Freud fez seus estudos pré-universitários e universitários, entre 1865 e 1875
Schopenhauer estava na crista de sua fama, e era virtualmente o filósofo do mundo de língua
alemã. Mas, se Freud não retirou diretamente de Scopenhauer as suas idéias, pode te-lo feito
através da leitura de Brentano. Freud foi seu aluno à época em que Brentano publicou o seu
Psychologie vom empirischen Standpunkte (”A Psicologia de um ponto de vista empírico”) no
qual faz vária referências às idéias de Schopenhauer. Por uma outra via, postulados como os
da inibição sexual, o dos complexos de idéias subconscientes, do incesto e da fixação materna,
podem ter chegado a Freud filtrados através de Wagner.
Freud recorreu livremente também à mitologia e à filosofia gregas. Além de tomar da filosofia
a noção de atividade associativa subconsciente, adotou também como divisão da mente
humana a divisão platônica da alma, renomeando-as como Id, Ego e Superego. Ainda aqui
Schopenhauer pode ter sido o seu guia e inspirador, porque foi aquele filósofo e não Freud
que se dedicou ao estudo da filosofia clássica notadamente ao platonismo.
 Wagner
O compositor Richard Wagner, inspirado no seu perdido amor por Mathilde Wesendonk, que
causou sua separação de sua esposa Minna, e influenciado pela filosofia pessimista de Arthur
Schopenhauer, escreveu Tristan und Isolde (1857-59), que tem por expressão fundamental a
vontade cega. Em 1869 Wagner retomou um antigo projeto, a tetralogia Der Ring des
Nibelungen (”O anel de Nibelung”), entrelaçando significados como, em um nível, a
preocupação com o nacionalismo alemão, o socialismo internacional, a filosofia de
Schopenhauer, o budismo, e o cristianismo; e em outro nível, o tratamento de temas que Freud desenvolveria depois na psicanálise, como o poder dos complexos com origem na
inibição sexual, incesto, fixação materna e complexo de Édipo.

Marcia Lopes

Paulistana, bookaholic. Louca por livros de terror,Thriller psicológico, policial, jurídico... Mas não dispensa um bom romance. Também apaixonada por filmes e séries.

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