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Edmond Rostand {Vida e Obras}

A França da segunda metade do século XIX vive o Segundo Império, sob o governo de Luís  Napoleão, que restabelece em seu benefício  o título imperial hereditário  e adota o nome de Napoleão III. Desenvolve-se o mercado financeiro, e a influência da França se faz sentir no exterior. O país está entrando na civilização industrial da idade da máquina.
Na política internacional, a França vive um período de instabilidade. Um clima de pré-conflito ronda a região, abatendo-se sobre a Prússia, a Alemanha e a própria França, países que estão empenhados em ampliar sua fronteiras. A guerra franco-prussiana  começa a se desenhar.
É nesse período em 1868, que nasce em Marselha Edmond Rostand, de uma família provençal culta e rica. Seu pai Eugène Rostand, é economista, tradutor e poeta, membro da Academia de Marselha .

Na literatura, os ideais  românticos da arte aos poucos vão cedendo lugar ao princípios realista  de que é necessário mostrar a vida como ela é, insistindo mais  na denúncia de seu lado mau do que na exaltação de seu lado bom. O naturalismo – que procura incorporar ao gênero o estudo do comportamento patológico e das classes socialmente desfavorecidas  – está em voga, banindo da literatura a antiga tradição de tratar de episódios medievais , louvar o patriotismo e exaltar a fé cristã.
Rostand é uma criança solitária e silenciosa, obcecada por literatura, em particular pelo teatro. Em 1880, aos doze anos, segue para Paris a fim de complementar os estudos.Nessa época escreve seus primeiros poemas. Dedica-se a literatura, história e filosofia e, muito jovem forma-se em  direito na Universidade de Paris, mas nunca exerceria a profissão.
Desde os primeiros meses na faculdade já frequenta assiduamente os meios intelectuais e artísticos, decidido a brilhar no mundo das letras, que sobre ele exerce um irresistível fascínio. Nas rodas literárias , além de um grande estímulo para seguir a vocação , Rostand conhece a mulher com quem  viria a se casar.
Aos vinte anos, em 1888 escreve sua primeira peça, A Luva Vermelha, que obtém algum sucesso, e em 1890 lança um livro de poemas, Divagações. Nesse mesmo ano casa-se com a poetisa Rosemond Etiennette Gérard, premiada pela  Academia Francesa por seu livro de versos, As Flautas. No ano seguinte nasce seu primeiro filho, Maurice.
Em 1893 tenta novamente conquistar o público com a peça teatral  Os Dois Pierrôs. Sem conseguir o mesmo êxito de A Luva Vermelha, só lhe resta esperar até o ano seguinte para realizar seu sonho.
Em 1894 nasce Jean, seu segundo filho. Nesse mesmo a no Edmond Rostand faz as pazes com o sucesso, quando Os Românticos, peça baseada em Romeu e Julieta, de Shaskespeare, é encenada pela Comédie Française . Finalmente está aberto o caminho da fama para Rostand.
Embora os ideais românticos já estejam ultrapassados, Edmond inspira-se nos temas do Romantismo para escrever suas peças, sem deixar de lado o novo enquadramento psicológico da época. Essa habilidade aliada a um genuíno talento poético e inteligente manejo dos vocábulos, garante o êxito de sua carreira de dramaturgo. Em 1895 escreve A Princesa Longínqua, história de amor entre um trovador e uma princesa da Idade Média.
Em 1897, aos 29 anos escreve A Samaritana, peça de cunho religioso, tema de forte inspiração para os românticos. Os críticos não aprovam a peça, pois entendem que Jesus é apresentado de modo vulgar.
Mas a obra que imortalizaria Edmond como dramaturgo e ídolo do público francês, ainda em 1897, seria a história do herói romântico que se tornaria um verdadeiro símbolo popular: Cyrano de Bergerac.
A obra é baseada na história real de um soldado que se destacara não tanto pela bravura, de habilidade de espadachim ou pelo talento de escritor, mas sim pela agudeza de espírito, por sua língua ferina e também por seu nariz extraordinariamente grande. Herculie Savanien de Cyrano de Bergerac viveu na França no início do século XVII.
A inspiração pra escrever a respeito da vida  de Cyrano surge quando Rostand  passa férias de verão  na pequena cidade de Luchon. O escritor fica conhecendo um jovem que lhe fala de seu amor não correspondido e que lhe pede conselhos  para conquistar a amada indiferente, uma vez que não possui o dom da retórica. Rostand passa a lhe ensinar diariamente  ao rapaz os rudimentos da arte de dizer reflexões, frases espirituosas, citações eruditas. Quando a moça finalmente se declara apaixonada e confessa ao próprio Rostand sua surpresa em saber que o rapaz é tão sábio , romântico e galanteador, o escritor imediatamente relaciona  a situação com a infeliz história  sentimental de Cyrano de Bergerac, que incapaz de conquistar para si próprio o afeto de Roxana, a mulher amada , conquista-o utilizando palavras apaixonadas em nome de outro, seu jovem amigo Cristiano.
Assim brota na mente de Rostand o embrião da peça que o tornaria célebre . Enquanto elabora mentalmente o esboço da obra, começa procurar o intérprete para o papel, que exige não só um ator  talentoso mas também dotado de certas características físicas. Quando Sarah Bernhardr, considerada a maior atriz da época  e que já interpretara no palco personagens de Rostand  em duas peças , lhe apresenta Constant  Coquelin, ator de sua companhia de teatro, o entusiasmo é recíproco. Autor e ator entenderam-se de imediato, e Rostand lança-se ao trabalho com redobrado vigor.
A obra seguindo a tradição romântica , é escrita em versos. Rostand trabalha febrilmente, e chega a compor  em uma só tarde 250 versos. A estréia , entretanto, em 27 de dezembro de 1897, no Théâtre de La Porte Saint-Martin, em Paris, é marcada por uma atmosfera de inquietação e nervosismo por parte dos atores. O clima é de pessimismo , e o público, hostil e apreensivo, aposta no fracasso: a época das peças escritas em verso já passara, e a história amorosa do galante mosqueteiro não parece um tema  dos mais empolgantes. Mas os personagens crescem e dominam os intérpretes, isolando-os do público, despojando-os de sua própria pessoa, integrando-os num mundo maior, onde a ficção magicamente supera e enriquece a realidade, Constant Coquelin como que incorpora a alma do personagem, de tal forma que, durante muitos anos, o papel nos palcos franceses seria exclusivamente seu. É impossível de imaginar outro  intérprete para Cyrano de bergerac. Coquelin tem 56 anos quando o interpreta pela primeira vez. O herói na realidade, deveria ter vinte anos menos, todavia essa diferença de idade acaba alterando a própria criação de Rostand . A condição do homem de meia idade, apaixonado por uma mulher muito mais jovem, assume uma conotação paternal.
A grandiosidade da obra  acaba preponderando sobre  o pessimismo e a tensão. A nobreza de sentimento do personagem, sua coragem, ousadia e sensibilidade encarnam o próprio ideal do povo francês, e a peça revela-se um estrondoso sucesso. O público, em pé, aplaude e exige a  presença do autor:graças a ele Cyrano está imortalizado como uma figura quase lendária. Dez dia depois da estréia, o presidente da República francesa ,Félix Faure, comparece ao teatro e, no intervalo da peça, entrega pessoalmente a Coquelin a Legião de Honra, a mais alta comenda desde 1802, criada por Napoleão Bonaparte.
Para o teatro, Rostand escreve ainda, em 1900, O Filhote de Águia. De inspiração histórica, mais uma vez cumprindo o ideal romântico de glorificar os valores pátrios-, a peça conta a epopeia do duque de Reichstadt, que deseja ressuscitar o império de seu pai, Napoleão, mas não se sente com forças para tão grande empreitada. Mais uma vez nessa obra, Sarah Bernhardt mostra sua personalidade e seu talento. Apesar da rejeição dos críticos, por ter a obra sido inspirada nos ultrapassados modelos românticos, ela é aplaudida com entusiasmo pelo público, por seu tema interessante e envolvente.
Em março de 1901, aos 33 anos, Edmond Rostand é eleito membro da Academia Francesa. Mas sua saúde, já debilitada, não lhe permite desfrutar por mais tempo a glória duramente conquistada. Enfraquecido e  cansado, parte para a casa de campo da família em Cambó, na região basca, onde passa quase nove anos em silêncio. Em 1910 volta aos palcos parisienses com Chantecler, história do mundo animal baseada nas fábulas de La Fontaine. Depois dessa peça, considerada pela crítica como o epílogo infeliz de uma carreira notável por uma única obra, Rostand  escreve ainda A Última Noite de Dom João, publicada postumamente em 1921.
Em 1914 tem início a Primeira Guerra Mundial, e Rostand procura se alistar no exército francês. Recusado, em virtude de sua saúde cada vez mais fraca, Rostand retira-se definitivamente para o campo.
De sensibilidade vibrante, vivíssima imaginação e inesgotável riqueza de expressão, começa perder aos poucos suas melhores qualidades por um excesso de virtuosismo. Passa o resto da vida torturado por sonhos de glória inatingíveis.
Em 2 de dezembro de 1918, quando a França comemora a vitória na Primeira Guerra, Edmond morre em Paris, aos cinquenta anos, em consequência de uma pneumonia. Sua imortal criação, Cyrano de Bergerac, contudo, continua percorrendo o mundo, empolgando platéias e fazendo a glória de muitos atores, tanto nos palcos quanto nas telas de cinema.

Fonte :Grandes Autores – Biografias – Faz parte de minha coleção Obras Primas- Editora Nova Cultural 2002 (digitada e conferida por mim mesma em 11 de setembro de 2012.)

Marcia Lopes

Paulistana, bookaholic. Louca por livros de terror,Thriller psicológico, policial, jurídico... Mas não dispensa um bom romance. Também apaixonada por filmes e séries.

3 Comentários em “Edmond Rostand {Vida e Obras}

  • Eu gostei muito do filme, mas não li o livro, já repararam que escritores sempre morre estranhamente? Ou só, não reconhecido , coisa assim.rs

  • Bacana essa biografia confesso que não conhecia a persona! Parabéns pelo quadro ( mamis rs)

  • Menina que legal eu não sabia que a história era baseado em fatos reais , eu ñ li Cyrano de Bergerac , mas me diverti muito com o filme! Bjs

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