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Victor Hugo – {Vida e Obras}

A França despede-se do século XVIII com o mais importante movimento político-social até então ocorrido na Europa a Revolução Francesa, em 1789, que trouxera em seu bojo os princípios do Estado moderno.

Um olhar sobre o panorama francês do séc XIX revela sua riqueza e complexidade: diferentes correntes de pensamento e movimentos literários irrompem por todo o país em meio a diversos movimentos políticos, econômico e sociais.
A primeira metade do século é influenciada pela luta políticas e pelas teses sociais. Numerosos escritores aderem às causas democráticas, e surgem obras de conteúdo sociais e monetários.
Já a segunda metade do século é caracterizada pelo progresso da ciência e por sua influência na vida das pessoas . O positivismo do filósofo Auguste Comte traz à tona um novo conceito de ver a vida .
Entre 1750 e 1870, dois grandes movimentos literários se sucedem, cada um com com uma visão de mundo específica : o Romantismo e o Realismo.
É durante essa primeira fase literária que nasce em Besançon, às margens do rio Doubs, Victor-Mary Hugo, em 26 de fevereiro de 1802, terceiro filho de Léopold-Sigisbert Hugo e de Sophie Trébuchet..
Desde muito jovem Victor Hugo já se mostra senhor de suas vontades. Aluno brilhante na escola elementar e no liceu, tem seu talento para a literatura revelado precocemente. Sua recusa em ingressar na Escola Politécnica para se dedicar a carreira literária causou descontentamento ao seu pai, que considerava inútil a atividade de escritor.
Mas o tempo mostra que Victor Hugo estava certo em seguir suas aptidões, em 1817, aos 15 anos recebe um prêmio em concurso de poesia da Academia Francesa.
Finalmente em 1820, conquista a admiração de familiares ao ter seu talento reconhecido pelo rei Luís XVIII, que passa a lhe pagar uma pensão ao ver qualidade em sua obra a Ode sobre a Morte do Duque de Berny.
Os anos seguintes são de total dedicação à literatura e a noiva, Adèle Foucher.
Em 12 de outubro de 1822, o casal sobe ao altar para desgosto do irmão de Victor Hugo, Eugène, apaixonado por Adèle, que enlouquece e é internado em um hospício, de onde jamais sairia.
Em pouco menos de um ano, a vida do casal é tomada pela tristeza .A morte do primeiro filho e o fracasso literário como romancista interrompem o período de estabilidade vivido até então. Han de Islândia não agrada a crítica. Victor Hugo, porém, acostumado às intempéries da carreira, entrega-se de corpo e alma a outra criação.
Em 1824, o nascimento da filha Léopoldine o faz sorrir novamente. Em 1826 publica Odes e Baladas e Bug Jargal, romance que começara a escrever na juventude.
Com seu malabarismo rítmico e o domínio da arte de escrever sobre temas medievais, é aclamado pelos jovens escritores da época, tornando-se porta-voz da nova escola literária: o Romantismo. 
Escrito em 1827, o drama Cromwell é sucesso de público e crítica, e tem em seu prefácio o ponto alto da obra, pois é considerado o manifesto do movimento romântico na literatura francesa. 
Em 1828, aos 26 anos e rodeado de discípulos, Victor Hugo era um homem feliz além da encantadora Léopoldine tem já dois meninos , Charles e François-Victor. A conta bancária aumenta, e a família começa a levar uma vida de luxo e elegância. Victor Hugo só lamentava que o pai não pudera presenciar sua boa fase, pois falecera poucos meses antes da chegada do sucesso na sua vida. 
O Último dia de um Condenado, obra vibrante de humanitarismo, na qual condena a pena de morte, é publicada em 1829.Os trabalhos em prosa no entanto não lhe satisfazem, nem a seu público. Retoma então ao teatro e escreve Marion Delorme. No ano seguinte a estréia da peça Hernani no teatro divide opiniões: os jovens aplaudem fervorosamente, e os mais velhos vaiam, atiram ovos e tomate no palco. Essa “batalha” de público contribuiu para a consagração de Victor Hugo como líder romântico. 
Em 1830, após o nascimento de mais uma filha que recebeu o nome da mãe, sua esposa recusa-se a ter mais filhos e concede ao marido toda a liberdade para andar por Paris, desde que a deixasse em paz. Essa decepção em sua vida, faz com que Victor Hugo se entregasse a libertinagem, ligando-se indistintamente a atrizes, aristocratas e humildes costureiras. Mas com tudo, ele não se separaria de Adèle. 
Em 1831 escreveu seu grande romance histórico: O Corcunda de Notre-Dame. 
Apesar do sucesso alcançado, Victor Hugo volta a dedicar-se ao teatro e à poesia, gênero em que se torna um dos maiores representantes franceses. 
Nesse mesmo ano publica ainda Folhas de Outono, coletânea de versos íntimos em que expressa suas inquietações filosóficas. 
O ano de 1835 é particularmente difícil para Victor Hugo, e é quando escreve Contos do Crepúsculo. Nessa magnífica obra está retratada toda a dor por que passa: sua fé religiosa está abalada, e sua crença no amor, morta. Mas há um fio de esperança nas entrelinhas: ainda espera pela felicidade. 
Em março de 1837 recebe a notícia da morte de seu irmão Eugène, e é nessa época que conclui As Vozes Interiores. 
Em 1841 ingressa na Academia Francesa, após quatro derrotas humilhantes . Assim, as portas da aristocracia se abrem para ele, sugerindo-lhe ascensão política. 
Em 1845 é nomeado para integrar a Câmara dos Pares. 
Em 1848, após a revolução que depõe Luís Filipe e proclama a república, Victor Hugo é eleito deputado em Paris. No entanto, sua radical oposição a Napoleão Bonaparte leva-o a buscar asilo político na Bélgica, após o golpe de Estado de 1851. Em Bruxelas escreve História de um Crime e no mesmo ano publica Napoleão, o Pequeno. 
Como a vida na capital é dispendiosa , Victor Hugo se muda para a ilha de Jersey em agosto de 1852. Ali adquire uma bela casa e chama para junto de si a esposa, os filhos e Juliette Drouet, a atriz que em 1833 se tornara a mais fiel de suas amantes. 
Victor Hugo passa os dias praticando equitação ao longo das praias, ouvindo sua filha Adèle ao piano, passeando com os cães e concluindo Os Castigos (1853) sua mais violenta sátira política. 
Seus hábitos aristocráticos de Victor Hugo não agradam aos outros desterrados franceses que vivem modestamente na ilha, e sua adesão ao espiritismo não era vista com bons olhos pelos vizinhos e conhecidos. As autoridades, que tampouco aprovam as atitudes de Victor Hugo, valem-se dessa antipatia geral para forçá-lo a retirar-se do local. 
Num chuvoso dia de outubro em 1855, o escritor desembarca na ilha de Guernesey. Junto ao mar, tendo ao longe a visão do litoral francês, ele viveria ali até 1870. 
Do refúgio, envia aos editores As Contemplações (1856). Nessa obra ele lamenta a trágica morte por afogamento da filha Léopoldine, e em 1843, lastima atos de Napoleão e declara seu amor a humanidade, especialmente aos humildes e sofredores. 
De longe, Napoleão o observa, e julgando que ele superara os ressentimentos, oferece-lhe anistia em 1859. Victor Hugo rejeita o perdão e prefere permanecer isolado, concluindo os poemas de A Legenda dos Séculos (1859). 
Vivendo tranquilamente em Guernesey, com Juliette morando ao lado e sua esposa não se importando, conhece então mais um triunfo com Os Miseráveis (1862), romance épico cuja elaboração gastara dezesseis anos. 
Os Trabalhadores do Mar, uma triste história de amor aclamada por muitos como sua obra-prima em prosa é escrita em 1866. A desventura de Gilliat – protagonista do romance – e a exaltação do que o amor faz do trabalho, da dedicação e da perseverança comovem o povo francês. 
Parece chegado o momento de deixar o exílio. E efetivamente Victor Hugo parte. Porém não vai à França, e sim à Bélgica, conhecer seu primeiro neto, filho de Charles. Treze meses depois a criança falece, vítima de meningite em 1868. No mesmo ano no mês de agosto, outro menino nasce, dias antes da morte de Adèle, sua esposa. 
Chegado o outono, Victor Hugo tornaà solidão de Gueternesey. Mas em 1870, ao saber da queda de Napoleão e da restauração da república na França, regressa a Paris e envolve-se novamente em causas políticas. Reconquistada a paz da nação, poucos amigos lhe restam, embora ainda conte com a simpatia geral do povo e a veneração dos jovens literários.
Depois de perder os filhos Charles e François num espaço de dois anos, e de a filha Adèle ter enlouquecido e ser internada em um hospício, resta-lhe a companhia do casal de netos e da fiel companheira Juliette.
A morte de Juliette Drouet, em 1883, leva-lhe a última companhia verdadeira. Sobram-lhe os netos – crianças demais para compreendê-lo – e os admiradores – embevecidos demais para colocarem-se ao seu lado. Nesse isolamento, Victor-Marie Hugo morre em 22 de maio de 1885 aos 83 anos. 
Durante nove dias o povo parisiense vela-lhe o corpo. Em 1° de junho, ao nascer do dia, dois milhões de pessoas acompanham o cortejo, na maior demonstração pública que a França jamais prestou a qualquer de seus poetas. Seu enterro no Panteão, o monumento fúnebre dos heróis nacionais, fez justiça ao talento de um dos maiores escritores do país. 

Fonte :Grandes Autores – Biografias – Faz parte de minha coleção Obras Primas- Editora Nova Cultural 2002 (digitada e conferida por mim mesma em 05 de setembro 2012.)





Marcia Lopes

Paulistana, bookaholic. Louca por livros de terror,Thriller psicológico, policial, jurídico... Mas não dispensa um bom romance. Também apaixonada por filmes e séries.

2 Comentários em “Victor Hugo – {Vida e Obras}

  • Ah Victor Hugo é tudo! Eu li Os Miseráveis e que história triste dele hein, vou ficar aguardando mais biografias! Bjs

  • O primeiro que li foi "O último dia de um condenado a morte" li três vezes, é uma obra fantástica.
    Parabéns pelo texto, muito bom.

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