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Bram Stoker [ Vida e Obra]

Se você gosta de histórias de vampiros, já deve ter lido ou ouvido falar de Drácula de Bram Stoker. Gosto de pensar nele como o pai dos vampiros, afinal, sua obra tão exaustivamente explorada , ainda serve como fonte de inspiração para escritores de livros, quadrinhos, TVs e para cineastas e produtores.
Usam -se de todos os gêneros;Comédia, Romance, Ficção e para todos os tipos de apreciação; séries, filmes, sagas, peças, desenhos animados, conquistando fãs por mais de um século .
A história é baseada na vida real de Vlad, o Empalador ou de Tepes , eu sou aficionada por Drácula desde criança, quero crer que tudo não é apenas imaginação.

Na primeira metade do século XIX Dublin, na Irlanda, vive um momento político bastante tenso. Daniel O’Connell, lider nacionalista, é incansável agitador e mobilizador das massas.Lidera um movimento popular que resulta na concessão aos católicos de alguns direitos até então reservados apenas aos protestantes, como o voto e o acesso a cargos políticos. O’Connell é responsável, também, pela campanha que defende a separação política entre Irlanda e Inglaterra.
Para agravar ainda mais a situação do país, em 1846 tem início um período de terrível fome na Irlanda, seguido de uma epidemia de tifo, que perduraria por dois anos. Em conseqüência, quase dois milhões de Irlandeses emigraram, a maioria para os EUA.

Esse é o retrato da época em que nasce Abraham Stoker, em 8 de novembro de 1847, no subúrbio de Clontarf, Dublin.
Terceiro dos sete filhos de Abraham Stoker – um funcionário público da secretaria do castelo de Dublin – e de Charlotte Thornley, o pequeno Bram, como prefere ser chamado, passa os primeiros oito anos da vida confinado a uma cama em decorrência de uma misteriosa doença que os médicos não conseguem diagnosticar. Jamais se saberia se a causa dessa enfermidade era de ordem física ou psicológica e até que ponto iria influenciar seu futuro fascínio pela morbidez.
O relacionamento de Bram com a mãe é excepcionalmente afetivo. A sra. Stoker partilha com o filho seu conhecimento e amor por contos de fadas, histórias de fantasmas e apavorantes narrativas sobre a pandemia de cólera que atingira a Europa de 1826 e 1837 e da qual ela havia sido testemunha.
Em 1863, com dezesseis anos de idade, Bram ingressa no Trinity College de Dublin, onde cursa Matemática Pura. Destaca-se notavelmente no curso, pratica esportes – chega a ganhar um prêmio em atletismo – e torna-se presidente da Sociedade Filosófica.
O jovem Bram sonha ser escritor, porém, induzido pelo pai, que tem planos mais práticos para ele, acaba seguindo-lhe os passos na carreira pública e, a partir de 1866, também passa a trabalhar no castelo de Dublin.
Nesse período, como burocrata a serviço da Justiça, escreve um manual denominado “Deveres dos Amanuenses e Escrivães nas Audiências para Julgamento de Pequenas Causas e Delitos na Irlanda”, que só seria publicado em 1879.
Obtém com louvor, em 1870, o diploma de Bacharel em Ciências. Durante os oito anos em que trabalha como funcionário público, Stoker desempenha também cargos universitários, participa de sociedades científicas e literárias e colabora em periódicos. É cronista, jornalista, contador, crítico teatral do Evening Mail de Dublin e editor do The Irish Eco.
Ao assistir no palco a uma interpretação de Henry Irving, em 1876, Stoker fica impressionado com o talento do ator inglês, que representa as peças de Shakespeare em uma temporada no teatro de Dublin. Bram publica em sua coluna uma análise de atuação de Irving. Os comentários de Stoker certamente agradam a Irving, pois eles são apresentados após o término do espetáculo e tem início uma amizade que se manteria por quase trinta anos.

Henry Irving

Dois anos depois, Henri Irving oferece ao amigo Stoker o cargo de administrador do royal Lyceum Theatre de Londres. Stoker imediatamente pede demissão do cargo público, casa-se com Florence Balcombe, uma linda jovem de dezenove anos que rompera um noivado de três anos com Oscar Wilde, e segue para a Inglaterra. No ano seguinte Florence dá à luz o único filho do casal, Noel. Nesse mesmo ano Stoker publica seu primeiro livro, “The Duties of Clerks of petty Sessions in Ireland“. Seu segundo livro, “Under the Sunset“, publicado em 1882, consiste em oito contos infantis de mistério..
Bram Stoker trabalha intensamente além de ser responsável por mais de uma centena de funcionários do teatro, organiza turnês internacionais da companhia teatral, cuida da correspondência e desempenha a função de empresário e secretário de Henry  Irving. Em meio a todas essas atividades, ainda encontra tempo para escrever. Ao entrar em contato com a sociedade londrina, que tende a ser apaixonada pelo sobrenatural, Bram Stoker começa a encontrar inspiração e material para escrever suas histórias soturnas.
Em 1890 Stoker começa a escrever um romance sobre vampiros, ainda sem título definido. No verão desse mesmo ano passa férias em Whitby, onde passa a cogitar o nome Drácula para esse romance que está escrevendo. Ao mesmo tempo trabalha em outro livro, “O Castelo da Serpente”, que é publicado em 1891.
O panorama intelectual da época em que vive Bram Stoker revela a forte influência dos movimentos espiritualistas na Inglaterra Vitoriana do final do século XIX e início da era Eduardina – a chamada Belle Époque.

Créditos
Cartaz da peça Drácula

Estranhas combinações de esotérico cientificismo e ritualístico misticismo são dadas à luz e ganham notoriedade e aclamação popular. Racional e irracional encontram-se estreitamente ligados. Reunindo o gosto pelo fantástico e pelo oculto com base em suas observações em penitenciárias da Inglaterra, onde lhe despertam a atenção alguns detentos obcecados pela compulsão de verter sangue e até mesmo de ingeri-lo – sintoma de uma disfunção metabólica de origem genética causada por uma deficiência enzimática e que reduz a produção das células sanguíneas -, Bram Stoker começa a fazer pesquisas para complementar o livro que viria a ser sua obra-prima. Ao ser publicado em maio de 1897, sete anos depois de iniciado, lançaria o protagonista Drácula em projeção mundial, bem como o próprio autor. Durante esse período publica três livros: “The Watter’s Mou” e “Croken Sands” em 1894 e “The Shoulder of Shasta” em 1895.

Nas lendas e no folclore os vampiros já eram conhecidos havia séculos. Em suas pesquisas, Stoker reúne informações sobre a crença em vampiros na Transilvânia e baseia-se ainda na sintomatologia de algumas anomalias genéticas ligadas a grupos mediterrâneos e que podem ser aliviadas com transfusões de sangue: palidez, crescimento anormal de pêlos, unhas e dentes, retraimento da gengiva, sensibilidade à luz e, em alguns casos, crises de insanidade.
Créditos
Massacre de Vlad Tepes

Existe também a possibilidade de que, para criar o personagem título de seu romance de terror, Bram Stoker, já familiarizado com a literatura inglesa do século XIX sobre vampiros, tenha se inspirado no príncipe da Valáquia Vlad Tepes Dracul (nome originário de Drac, que em romeno significa dragão, diabo). Dracul, que viveu no século XV, foi um tirano e um guerreiro muito cruel, porém não exatamente um vampiro.
Aliás, é Henry Irving, com sua voz sibilante, quem serve de modelo a Stoker para a descrição do demoníaco personagem Drácula.
Um ano depois da publicação de “Drácula“, Bram Stoker escreve outro livro, “Miss Betty“, mas sua carreira entra em declínio: um incêndio no Lyceum Theatre destrói a maior parte dos figurinos, adereços e equipamentos do teatro, que viria a ser fechado em 1902. Em 1903 Bram publica “Os Sete Dedos da Morte“, e no ano seguinte “The Man“. Nesse período também sua saúde começa a declinar. Henry Irving morre em 1905, e a saúde de bram piora ainda mais. Nesse mesmo ano sofre um derrame cerebral e, logo em seguida, contrai ua doença nos rins. É com grande dificuldade que escreve os últimos livros. Em 1906 publica “Personal Reminiscences of Henry Irving“, em homenagem ao amigo. Em 1909 publica “O Caixão da Mulher-Vampiro“, e dois anos depois, “O Monstro Branco“.
No dia 20 de abril de 1912, com 64 anos de idade, esgotado e enfraquecido pelos prolongados problemas de saúde, Bram Stoker morre, sem ter tido a oportunidade de assistir ao notável sucesso de sua obra.

Capa do romance.1897

Em 1922 é produzido na Alemanha o primeiro filme baseado no romance “Drácula“, de Bram Stoker: “Nosferatu“.
“Drácula” continua sendo a obra literária mais freqüentemente adaptada para o cinema, e seus personagens as figuras mais retratadas na tela, ao lado do detetive Sherlock Holmes e seu fiel auxiliar Watson, do escritor inglês Arthur Conan Doyle.
Em 1987 a Associação de Escritores de Histórias de Horror dos EUA instituiu um conjunto de prêmios anuais em seu campo de atuação que recebeu o nome de Bram Stoker Award.
O ator Christopher Lee, que encarnou onze vezes o personagem de Drácula, cujo papel consagrou sua longa carreira no cinema, declarou no Festival Imagfic de Madri, em 1990: “Drácula é um herói maléfico, a que eu tenho dado um certo toque de tristeza, sem esquecer que é um personagem heroico, romântico e sensual“.

Divulgação do filme. 1922

Fonte :Grandes Autores – Biografias – Faz parte de minha coleção Obras Primas- Editora Nova Cultural 2002 (digitado e conferida por mim mesma em 04 de abril 2016)
Postado por Marcia Lopes:
MarciaE 46 anos até novembro, paulistana, louca por livros de terror,Thriller psicológico, policial, jurídico… Mas não dispensa um bom romance, apaixonada por filmes e séries.Costuma dizer que o mundo literário mudou sua vida (sem trocadilho) rs Pura verdade!

Marcia Lopes

Paulistana, bookaholic. Louca por livros de terror,Thriller psicológico, policial, jurídico... Mas não dispensa um bom romance. Também apaixonada por filmes e séries.

7 Comentários em “Bram Stoker [ Vida e Obra]

Trackbacks & Pings

  • [Vídeo] Vampiros nos livros – Mundo Literário :

    […] nem de longe ou como gostaria minha leitura sobre esse tema. Links de alguns livros citados: Biografia –  Bram Stoker Sonho Febril – George R.R. Martin Terra Cruz  – Leonardo Brum Adeus a […]

    1 ano ago

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