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Entrevista com o escritor Germano Gonçalves

Eu fiquei muito feliz com essa entrevista, já tem um ano aproximadamente que esbarrei com o escritor no Livreiro e desde então acompanho as postagens do Germano e agradeço pela bondade e o carinho que sempre teve com essa aprendiz de blogueira. Muito Obrigada e sucesso em seus projetos que são muito bacana.

Germano Gonçalves autor de O Ex-Excluído


“Eu gosto de livro, dos livros.
Livros abertos, livros fechados,
E até os lacrados, intocáveis.
Gosto da capa, das capas.
Do formato, em qualquer estado.
Dos prefácios, das palavras fáceis.
Das orelhas e, lombadas.
Da capa dura e da brochura.
Espiral.
Livros de romance, contos e espiritual.
Poemas, crônica e policial.
Das primeiras paginas.
Dos dados de catalogação.
Copyright.”
ML: Fala um pouco de você.

GG: Eu venho de uma família mineira e dizem que mineiro sempre foram bons escritores, mas nasci mesmo em São Caetano do Sul cidade do grande ABC Paulista, mas logo aos 2 (dois) anos de idade meus pais se mudaram para capital de São Paulo em um bairro de periferia a onde estou até os dias de hoje, escrevo desde minha juventude, nada registrado oficialmente, meus primeiros textos e poemas foram escritos em jornais de bairros já na fase adulta e continuo na luta. Quanto a minha pessoa sou de uma opinião própria gosto de agir da minha maneira respeitando a todos claro. Quando gosto de uma coisa e me proponho a fazer tem que sair exatamente como eu pensei, eu me acho um escritor ético, sou comprometido com a verdade e defensor dos direitos humanos e a liberdade. Escrevo com meu estilo próprio, tanto que minha obra “O ex-excluído, é fruto da semente semeada”; sou um escritor que coloca no papel o que sentimos e não conseguimos dizer sem perder a generosidade, a felicidade e o sentimento de respeito ao próximo, à família e a periferia que costumo sempre dizer que é a minha terra natal.

ML: Fale do livro, porque do título. Da capa (ela não é muito atraente rs).

GG: Confesso que quem me conhece gostou muito da capa, mas olha a capa é inspirada em um dos melhores discos que eu acho do Raul Seixas e por eu ser adepto de sua filosofia coloquei esta capa, você pode perceber que tem umas correntes no punho e elas estão quebradas isso significa que a pessoa se libertou conquistou algum espaço na sociedade esse é o sentido, aí a pessoa não é um excluído e sim é um ex-excluído, porque se incluiu na sociedade, ex: um ex-detento, um ex-viciado, um ex-desempregado etc. Pessoas que abandonaram o que faziam, pois eram excluídos da sociedade deu pra entender. Então o livro trás textos e poemas neste segmento a capa é só um detalhe do que esta por dentro do miolo do livro. Eu quero que quando as pessoas ler meu livro diga “Jamais eu li algo assim”.

ML: Porque em prosa poética?

GG:Porque a prosa nos da essa liberdade de escrever textos sem divisões rítmicas intencionais — alheias à sintaxe, e sem grandes preocupações com ritmo, métrica, rimas, aliterações, isso é típico da literatura marginal periférica divergente nós temos a liberdade de expressão, pois a prosa poética assim como você perguntou: Da mesma forma, nem tudo que é escrito em forma de prosa tem conteúdo de prosa. Já dizia o poeta: “Aristóteles” em sua poética, a partir da linguagem: “poesia” torna-se um texto em que a função poética predomina sobre as demais. Por tanto, um texto escrito em forma de prosa pode ser considerado de “poesia”, se sua finalidade, for poética. A tal texto pode-se dar o nome de prosa poética ou poesia em prosa. Pois é “prosa” em sua forma; mas “poesia” em sua função, em sua essência, nos sentimentos que transmite. Como quem ler a obra o ex-excluído encontrará textos nesta característica.

ML: Explica por que o movimento Hip Hop te inspirou e por que você se intitula “Poeta da periferia”

GG: Eu venho de um movimento que revolucionou o mundo, criou moda, abriu novos horizontes, novos costumes e pensamentos que é o rock ‘n’ roll esse movimento tiveram seus heróis e com as novas tendências perdeu sua força para o que eu costumo chamar de promessas indefinidas, os valores foram perdidos e muitos ídolos do meu velho e bom rock ‘n’ roll partiram desta constelação e não apareceu mais nada pra suprir essa falta os movimentos que apareceram e as musicas todas como um comércio da indústria fonográfica e o famoso jabá continua sobrevive, aí então apareceu o movimento hip-hop que eu me tornei adepto porque é um som falado e tem a ver com a literatura “palavra” e tem tudo a ver com a escrita e eu por gostar de escrever conciliei os fatos e encontrei muitas oportunidades tanto que já participei de duas coletâneas deste movimento, quando procurava os escritores ditos acadêmicos da elite não conseguia se quer escrever uma palavra e agora escrevo até para eles ler. E eu não me intitulo “Poeta da periferia” Eu sou da periferia como podem observar quando falo do meu livro em pergunta anterior Porque eu mostro, em meus versos livres uma periferia cheia de tédio, e a rotina de seus personagens, e das ruas e praças caóticas dos bairros afastados do centro, palco do dia-a-dia por vezes, animado apenas pela violência, pela fome e embriagados, maltrapilhos que catam lixo como recicláveis para a sobrevivência e meio a tudo isso os que querem cultura para se tornar um ex-excluído e que vê na poesia a vida. Porque em meus livros vou falar de Paris, Bariloche, Nova York, Veneza, Madrid, se aqui na periferia é o meu lugar, posso sim viajar conhecer outros lugares, mas quando mencionar em meus livros a periferia sempre estará em evidencias em minha obra.

ML: Você faz parte de algum projeto,ONGs que foca a inclusão social?

GG: Sim sou colaborador em uma Casa de Cultura denominada de projeto gente, onde tomo conta da sala de leitura no intuito de incentivar as crianças a ler e aos jovens e adultos a tomarem gosto pela leitura, com meus objetivos de professor tenho e preciso fazer algo em prol da literatura faço um projeto social em uma escola da prefeitura para os alunos do EJA – (Educação de Jovens e adultos) denominado de Estudos livres de literatura onde passo noção de literatura brasileira desde o inicio no quinhentismo até os dias atuas da contemporaneidade e faço isto com gosto só pelo prazer de ensinar e ver as pessoas se interessando pelo assunto isto é muito gratificante.

ML: Quais são seus planos para o futuro?

GG: Planos? Tenho muitos, mas quero focar em escrever quantos livros eu conseguir e entre artigos, poesias, contos e tudo que envolver a escrita. Como disse que tenho muitos planos vou também dedicar a minha vocação de ser professor e realizar o meu mais sonhado plano que é fazer da minha periferia o bairro onde eu resido: Parque São Rafael Zona Leste de a capital paulistana, ser conhecido pela leitura, porque aqui o gosto pela leitura ainda é escasso, mas com meu trabalho e dedicação vou conseguir alcançar este meu objetivo e, um dia ser conhecido pelo escritor que mora no bairro dos leitores.

ML: Deixe uma mensagem para os leitores.

GG:  Bom que eles leiam de tudo, não importa o que e como esta lendo, mas que leiam e sempre incentive uma criança a ler. Porque ler abre muitos caminhos e a leitura anda com o conhecimento a sabedoria e também a ciências, por intermédio da leitura conquistamos novos objetivos na vida seja um leitor assíduo, mesmo que demore muito, mas não importa um dia você vai se aperfeiçoar e se tornar um devorador de livros, aos leitores, obrigado pela atenção e a consideração de lerem esta minha entrevista. E que quando lerem uma obra minha digam: “Jamais li algo assim”.
Quero agradecer ao Mundo literário em especial a Márcia Lopes por ter me dado à oportunidade de falar um pouco sobre meus trabalhos literários abrindo espaço em seu blog e acreditando mais uma vez nos escritores de periferia, valeu!


ML: Nós que agradecemos e esperamos sinceramente que você consiga seus objetivos e continue com essa energia que sentimos nas suas palavras, por que suas ideias são muito bacanas e serve de exemplo pra todos nós cidadãos. 



Germano se apresentando em 100% favela

Perfil do escritor: Facebook
Perfil no Skoob

Pessoal eu gostei muito e espero que vocês também tenham gostado, deixe um comentário.
Um Abraço a todos!


Marcia Lopes

Paulistana, bookaholic. Louca por livros de terror,Thriller psicológico, policial, jurídico... Mas não dispensa um bom romance. Também apaixonada por filmes e séries.

6 Comentários em “Entrevista com o escritor Germano Gonçalves

  • eh que eu amo poesia , parabéns Germano espero que vc consiga fazer do seu bairro um lugares de leitor e pela iniciativa! Um abraço!

  • Obrigada por comentar é sempre bom e nos dá uma satisfação enorme receber o retorno de nosso trabalho e nossos escritores são muito bons é pena que tenham pouco espaço para divulgação, pois muitas editoras preferem fazer isso apenas com literatura estrangeiras ,que também gosto muito muito , mas é uma o pena deixar de lado a nossa literatura!

  • Salve poeta! Já está em nosso site, acessem:
    http://belantunes.wix.com/misc-manancial#!videos

    Um grande abraço!

    • Muito bom entrevistas assim com autores, como o Germano porque possibilita ao leitor conhecer além do livros – detalhes que àa vezes o livro em si não contém…
      Como o esclarecimento sobre o porque do título "O ex-excluido", ficou bem explicado ^^
      Parabéns ao blog pela entrevista e ao Germano Gonçalves desejo sucesso e ainda muitos títulos futuros.
      Abraços

  • Obrigada! Valeu!

  • Ótima Entrevista !!!! Ótimo Blog !!! Sucesso e um Lemon-Abração à tod@s !!!

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