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Entrevista com o escritor Leo Vieira

Antes de seguir queremos agradecer a gentileza do escritor em nos conceder essa entrevista. Muitíssimo obrigada!

Leo Vieira é o autor do livro Alecognição lançado em 2011 pela Editora Lexia.

“Apesar da surrealidade presente na obra, eu espero que os leitores se conscientizem sobre aspectos morais que realmente existem. Independente de igreja ou religião, o caráter da humanidade tem definhado por falta de amor ao próximo. E nisso, tanto a igreja quanto a sociedade caminham juntas nesta opinião.”

Mundo Literário: Quem é Leo Vieira?

Leo Vieira: Sou um escritor iniciante, amante da literatura e da arte. Gosto muito de escrever, mas só agora que tive coragem de expor um pouco do que ainda estou aprendendo.Já escrevi, contos, crônicas, peças de teatro,já compus letras musicais, enredos e roteiros de histórias em quadrinhos, mas só há quase dois anos que me deu vontade de deixar de ser só um expectador no esplendoroso mundo dos livros.

Mundo Literário:Como surgiu a ideia de escrever e como escolheu o nome , qual o significado de Alecognição?

Leo Vieira: Eu já criava histórias antes mesmo de aprender a escrever. Em vez de ouvir historinhas pra dormir, eu é quem as contava para os meus pais, ou para o meu irmão mais novo, que tinham que ouvir com paciência até o final. Eu falava tanto que acabei ganhando um fantoche para me ouvir e conversar comigo (igual no livro; só que o meu era vermelho, mas também tinha topetinho preto e um grande nariz branco). O boneco andava comigo para todo o lugar e quando aprendi a ler e a escrever, aposentei o mascote e comecei a passar para o papel todas as idéias. O nome do livro vem da junção de duas palavras. Cognição, porque o personagem principal, Galileo era ávido pelo conhecimento e, como na parapsicologia existem vários segmentos de “cognição” (precognição, que é conhecimento paranormal do presente; retrocognição, que é conhecimento paranormal do passado; simulocognição, que é conhecimento paranormal do futuro) eu tive que criar um segmento novo, que é”Alecognição”, o conhecimento paranormal “ALE-górico” (Galileo cria um mundo para prender a atenção de seus oponentes.

Mundo Literário: Quanto tempo levou para escrever ?

Leo Vieira: A ideia já povoava a minha cabeça há muito tempo, porque também é baseado na minha infância. Eu nunca tinha escrito um livro inteiro e nem tinha noção de que ficaria daquele tamanho. Achava que seria no máximo, um modesto e resumido livro de bolso. Tratei antes de pesquisar bastante sobre temas teológicos,mitológicos, psicológicos, parapsicológicos, criminológicos, além de mineralogia, simbologias e urbanismo. Também tive que andar em certos lugares do livro, para não descrever incoerências geográficas. Ao todo, foram 29 livros especialmente consultados para a composição do primeiro título. Posso dizer que foram dois anos de pesquisas e três semanas ininterruptas de digitação.

Mundo Literário: Fale um pouco do livro, o que você quis passar para o leitor?

Leo Vieira: Alecognição” é um romance de ficção, mas tem muitas cenas de ação e suspense. Apesar da temática religiosa, ele não é um livro cristão. Ele foca muito os princípios morais, abordando muitas situações polêmicas em que presenciamos na vida. O livro conta a história de um menino de cinco anos, que vai descobrindo que não só a sua família, como também toda a civilização estava sob alvo de um perigoso plano diabólico, envolvendo manipulação e opressão moral e espiritual. A história vai mostrando como o mundo é ameaçado através do mercado, política e religião. O que eu quis passar para o leitor é que o melhor herói não é o mais forte e sim o mais esperto. O pequeno Galileo vai aprendendo que, os inimigos também devem ficar por perto para se ter mais controle sobre as suas ações. Durante a história, ele aprende lições memoráveis sobre a terapia do perdão, da reconciliação, a persistência, a coragem, como vencer o medo e como desapegar do materialismo e exibicionismo. Também há revelações importantes sobre administração estratégica, como evoluir no mercado de entretenimento, a arte da propaganda e como conviver bem com a concorrência e conquistar aliados, mesmo que eles sejam inimigos. Um ponto muito especial é a reflexão sobre a importância do emprego e como não estereotipá-lo como algo enfadonho e estressante. E ele aprende tudo com os próprios inimigos. O livro também deixa uma lição sobre a ansiedade e a necessidade de não querer realizar os propósitos rápido demais, aprendendo a cumprir um dia de cada vez, com paciência e perseverança.

Mundo Literário:Que escritores influenciaram sua forma de escrever? Qual seu autor favorito?

Leo Vieira: 

São vários. Eu gosto muito do Carlos Ruiz Zafón, do Stephen King, do Khaled Rosseini e do Dan Brown, pelas suas formas de retratar um ambiente, sem deixar o enredo enfadonho. Também gosto do Steve Fuller, pela genialidade que ele usa nos diálogos, sempre muito inteligentes.Rubem Fonseca também é excelente, criando narrativas mais irônicas e com humor bem criativo, ainda mais nas suas comparações. O meu autor favorito é o Sidney Sheldon, que, além de talentoso, tinha uma forma muito criativa e rápida para elaborar e compor os seus textos, o qual acabei adotando também.
Se a mente travar, faça uma pausa e leia mais um pouco, para aguçar o cérebro e fermentar as ideias.”

Mundo Literário:Que compromisso tem o seu livro?

Leo Vieira: Fazer a minha parte para divulgar e incentivar a literatura nacional e, em especial a cultura e o turismo do município de São Gonçalo, no Rio de Janeiro, que é onde eu nasci, morei por 25 anos e também onde o romance é ambientado. São Gonçalo é a cidade que tem mais igrejas evangélicas do mundo por quilômetro quadrado. Eu criei esse paradoxo do cenário tenebroso em uma cidade evangélica, porque muitos problemas complexos na vida de uma pessoa, vão muito além de questões religiosas. São Gonçalo também têm inúmeros pontos turísticos, desconhecidos até mesmo pelos próprios gonçalenses, como as Cavernas de Santa Izabel (que aparecerão no segundo livro), o Maciço de Itaúna, que é um vulcão extinto (que aparecerá no terceiro livro), o Alto do Gaia, a Fazenda Colubandê, etc. É uma forma de incentivar os leitores gonçalenses a conhecer mais o que são deles, além de contribuir para o incentivo do turismo na cidade. Eu sou membro e também secretário da Sociedade de Artes e Letras de São Gonçalo (SAL) e sou candidato a membro na Academia Gonçalense de Artes, Letras e Ciências (AGLAC), além de outras academias literárias fora do Estado do Rio de Janeiro. Na última Bienal do Livro, foi um número imenso de leitores gonçalenses. Desta forma, nada impede que o município tenha uma Bienal própria, só de autores da cidade, com a participação de municípios vizinhos. Eu penso que todo escritor tem que abraçar um projeto literário. É a sua contribuição cultural, tanto como escritor quanto como cidadão.

Mundo Literário:Que influência a Internet exerce em sua escrita?

Leo Vieira: A internet facilita e dinamiza demais qualquer meio de estudo. Mas também não é muito confiável, porque também pode conter erros. É muito bom consultar um dicionário on line, acessar mapas no Google e fazer uma consulta rápida sobre algum tema. Mas para uma história ficar consistente, convincente, visceral e verossímil, só mesmo abrindo vários livros e os lendo pacientemente, garimpando os melhores conteúdos possíveis.

Mundo Literário: Você acha que a sua escrita poderá afetar de alguma forma a realidade?

Leo Vieira: Não. Sou um escritor iniciante e tenho muito ainda o que aprender, como havia dito no início. Eu me preocupei muito em não parecer ofensivo com nenhuma doutrina religiosa. Para isso, todas as religiões apresentadas neste livro e nos livros seguintes são fictícias, assim como a potestade de demônios horogâmicos, que são os vilões de Galileo, neste e nos livros seguintes. Apesar da surrealidade presente na obra, eu espero que os leitores se conscientizem sobre aspectos morais que realmente existem. Independente de igreja ou religião, o caráter da humanidade tem definhado por falta de amor ao próximo. E nisso, tanto a igreja quanto a sociedade caminham juntas nesta opinião.

Mundo Literário: Que qualidade considera fundamental em um escritor?

Leo Vieira:Antes de tudo, um escritor precisa ser um insaciável leitor e um incansável pesquisador. De bulas de remédio à complexos hieróglifos criptografados em museus. Tudo é válido, quando ele for colocar suas ideias no papel e as transformar em um bom enredo. O escritor também deve ser muito criativo. Mas a criatividade somente é exercitada através da leitura. Se um escritor não se considera criativo, então é porque ele não lê e nem pesquisa o suficiente.

Mundo Literário:Você utiliza algum artifício que o induza a um estado de espírito favorável a escrita?

Leo Vieira: Boa pergunta. Eu já li muitas entrevistas em que um escritor diz que precisa estar sozinho e em um local com isolamento acústico. Um artista também já revelou que precisa de música ambiente e uma taça de vinho para poder construir uma ideia. Outro escritor também somente escreve se estiver com um cachimbo fumegante no canto da boca. Mas eu nunca precisei e nem quero contar com nenhum rito para poder fazer uma atividade tão prazerosa e gratificante que é escrever. Quando compus o conteúdo de “Alecognição” eu ia fazendo notas e desenhos com papel e caneta, que levava sempre no bolso, durante minhas viagens de ônibus e de barca, durante as idas e voltas ao trabalho, ao seminário (estou me formando em Teologia) e à igreja. Depois eu ia passando para o PC. Quando eu escrevi, usei o meu modesto computador, que fica em um cômodo muito movimentado e barulhento do meu apartamento. Tinha dias que precisava digitar ao som estridente de músicas horríveis dos vizinhos. Infelizmente, isso é inevitável. Como eu sempre passo muitas horas escrevendo, eu faço questão de apenas ter uma cadeira confortável. Um escritor precisa ser prolífero e manter o seu público sempre bem abastecido por boas e numerosas obras, independente de estar com espírito favorável ou não. Se a mente travar, faça uma pausa e leia mais um pouco, para aguçar o cérebro e fermentar as ideias.

Mundo Literário: Qual a cena que você mais gosta do livro ou frase?  

Leo Vieira: Eu gosto muito das cenas de ação. Em especial, das partes em que Galileo começa a ter uma atitude heroica em prol de seus amiguinhos. Também gosto muito da cena em que Aristarco De La Rue sequestra o Galileo no hospital, se disfarçando de várias formas e depois roubando até a viatura da polícia. O hospital existe, assim como todo o trajeto da perseguição policial pelas ruas de São Gonçalo. Quanto a frase, eu gosto muito de um dos conselhos de Aristarco, quando o heroizinho tinha vontade de entender tudo antes do tempo: “Cuidado com o que deseja, Galileo. Nossa vida é um somatório de sonhos,desejos,metas, propósitos, vontades e realizações. Nunca queira chegar na linha de chegada sem apreciar o esforço da corrida.”

Mundo Literário: Uma curiosidade nós estávamos comentando entre a gente que não conseguimos ver uma semelhança com qualquer escritor que tenhamos lido nas páginas do seu livro e achamos que você é o Galileo com seus “leos” falando do turbo…

Leo Vieira:  É verdade, assim como o Charlie Brown é o Alter – ego infantil do cartunista Charles Schulz; o Satoshi (Ash na versão ocidental) da série de jogos e desenhos Pokémon do Satoshi Tajiri, o Galileo também foi totalmente baseado na minha infância. Mas assim como Harry Potter, Percy Jackson e outros personagens da literatura, o Galileo cresce junto com seus desafios e vamos conhecer como ele desmantelará todas as horogramas, esse ano ainda> E em breve novos sorteios de mais livros e brindes temáticos.

Mundo Literário:Quais os planos literários para o futuro?

Leo Vieira:  Escrever muito; mas muito mesmo. Como havia falado e gosto mesmo de frisar, um escritor precisa ser prolífero e manter o seu público sempre bem abastecido por boas e numerosas obras, independente de estar com espírito favorável ou não. Também quero lançar todos os livros restantes da saga “Alecognição” (que é bem numerosa e está quase pronta); os outros romances independentes, de temas bem variados; trazer uma Bienal do Livro própria para São Gonçalo, por em prática alguns projetos de oficina de escritores e máquina de venda de livros no município de São Gonçalo (máquinas de livros fariam que os mesmos ficassem mais baratos, pois não atravessariam os distribuidores e livrarias, ficando mais baratos e privados de alguns impostos. Desta forma, os livros ficariam com preço de sanduíche. Venderiam muito, se tivessem em terminais rodoviários, escolas e faculdades); lançar a série “Alecognição” e os demais livros em Portugal e outros países europeus (estou em negociação ainda) e fazer muitos intercâmbios em bienais e outras feiras literárias no país todo. Quero também agradecer a todos, dizer que fico muito feliz quando alguém lê e comenta sobre a obra e que podem sempre contar comigo! Um abraço a todos!

Perfil do escritor

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Próximo evento em parceria com o autor sorteio do livro Alecognição autografado.
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 Entrevista com o autor Leo Vieira de Mundo Literário é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição 3.0 Não Adaptada.

Marcia Lopes

Paulistana, bookaholic. Louca por livros de terror,Thriller psicológico, policial, jurídico... Mas não dispensa um bom romance. Também apaixonada por filmes e séries.

12 Comentários em “Entrevista com o escritor Leo Vieira

  • Muitoooooo bom,quero muito ler esse livro!!!

  • Também adorei, gostei das perguntas e como o autor se expressou com seriedade e simplicidade, parabéns ao autor pela obra e a blogueira pela entrevista!
    Estou participando, quem sabe não tenho sorte , mas se não ganhar comprarei com certeza! Bjs

  • MARIA FERREIRA
    5 anos ago

    Adorei. As perguntas são excelentes, bem formuladas e as respostas são maravilhosas. Só uma palavra para definir o autor que mais gosto, depois de Carlos Drummond: PERFEITO.

  • mirian da silva
    5 anos ago

    Gostei muito de sua entrevista, pretendo ler o livro o mais rápido possível. E que a sua mente sempre se abra para expressar para nós leitores não somente aquilo que estiver emsua mente, mais em seu coração.

  • adorei marcia , vc entrevistou muito bem !

  • Haaa gostei das palavras do Autor! Tipo…ele transmite por meio da ficção algo que muitas vezes vivemos no cotidiano, contando de uma forma descontraída.^^
    Parabens ao autor e ao Blog.
    bjbj

  • Fico feliz com suas palavras Germano, vindo de você que é escritor e jornalista é um elogio e tanto , que tal me dar uma entrevista também! rs

  • O autor é bem descontraído na entrevista, gostei quando ele fala em incentivar à leitura, boa entrevista.

  • Gostei da entrevista. Mas o livro não é uns do que me interessa.
    Parabens pelo autor. Beijos

  • Adorei a entrevista! Confesso que nunca li o livro, mas já vou logo puxar ele pra minha lista, me deixou curiosa.
    Parabéns ao autor, a entrevistadora e ao blog!
    Muito bom o trabalho!! <3

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