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Henry James [Vida e Obras]

Ola pessoal!
Eu me tornei fã de Henry James desde que li A Outra volta do parafuso, adoro historias sobrenaturais, principalmente que mexam com nossas crenças e com o psicológico – mas Henry provou ser muito criativo e versátil com outros gêneros.
A biografia dele é muito rica e vale apena conhecer.

Não; nada de cadáveres. Nem crimes. Nem castelos escuros. Nem sangue. Nem alçapões secretos. Nem monstros que caminham  pela noite.
Não: o mistério e o pavor não dependem dessas coisas. Os fantasmas, se existem, caminham à luz do dia. Quando se tem medo, é o próprio sangue que esfria nas veias. Fora dos túmulos, os cadáveres existem apenas na imaginação. E os alçapões secretos são as ciladas preparadas pelo subconsciente. A atmosfera é assustadora, porque o impossível coexiste com o possível.
Era assim que Henry James queria: nada de histórias macabras. Para ele os relatos de fantasmas eram a “forma mas aproximada do conto de fadas“, e suas experiências fantásticas, apenas voos da imaginação poética. Henry teve uma infância rica. O pai também chamado Henry James, era homem de posses. Mary Robertson James, a mãe, era uma mulher de hábitos simples.
Segundo filho do casal , Henry James nasceu em 15 de abril de 1843 em Nova York, perto de Washington Square, onde passou a infância.
Em julho de 1855 a família partiu para a Europa. Durante os cinco anos seguintes, entre várias idas e vindas, as crianças frequentaram alternadamente, escolas europeias e americanas. Em 1860 voltaram a morar nos Estados Unidos.
Em 1861 começou a estudar na Faculdade de Direito de Harvard, mas conferências do escritor James Russel Lowell sobre literatura faziam-no esquecer as leis. Em 1863 escreveu seu primeiro conto – A Tragedy of Error – publicado sem assinatura na revista Continental Monthly em fevereiro de 1864, mesmo ano em que junto com a família, muda-se para Boston. Pouco tempo depois redigiu uma nota crítica para The North American Review. No ano seguinte se tornou colaborador da revista The Nation e publicou na revista Atlantic Monthly seu primeiro conto assinado: The Story of a Year.
Em 1866 a família transfere-se para Cambridge, Estados Unidos.
Em fevereiro de 1969 partiu para a Europa. Levava consigo o pequeno lastro de suas experiências literárias, os primeiros contos em que já aparecem alguns dos temas que seriam constantes em sua obra – os artistas, o sobrenatural, o americano viajado. Esteve na Inglaterra, França, Suíça e Itália. 
Em março de 1870 recebe a notícia da morte de sua prima Minny Temple, da qual gostava muito e em quem se inspiraria anos mais tarde para criar vários personagens.
Em abril voltou para os Estados Unidos e tornou-se crítico de arte do periódico The Atlantic, no qual publicou, em 1871, sua primeira novela: Watch and Ward.
Em 1875 publicou o romance Roderick Hudson e o livro de contos A Passionate Pilgrim. Em novembro do mesmo ano mudou-se para Paris, onde trabalhou como correspondente do jornal Tribune. Um ano depois James chegou à conclusão de que não tinha talento para repórter e partiu para Londres. Antes de arrumar as malas, fez um balanço dos aspectos positivos de sua estada em Paris. Em termos de criação literária, a melhor obra desse período foi O Americano, publicado pela revista The Atlantic em 1877. Além disso, teve oportunidade de conhecer escritores como Turguêniev, Flaubert, Zola, Maupassant, Edmond Goncourt. Entre eles, quem mais o impressionou foi Turguêniev, sobretudo por sua maneira de concentrar-se nos personagens, dando pouca importância ao enredo.
Em dezembro de 1876, fixou-se em Londres, na esperança de conquistar seu público também na Inglaterra – o que só aconteceria em 1879, com a edição inglesa de Rocerick Hudson e O Americano. Dos três romances escritos até então, apenas Watch and Ward não foi publicado, pois o próprio escritor julgava-o imaturo.
Não foi preciso esperar o lançamento desses dois romances para James firmar-se perante a crítica britânica. A consagração veio em 1878, com a publicação dos ensaios literários French Poets and Novelists, do romance Os Europeus e de mais de trinta contos, entre os quais Daisy Miller e An International Episode.
Em 1880 foi publicado na Inglaterra e nos Estados Unidos A Herdeira, um de seus melhores livros. E em outubro desse ano aparecia a primeira parte de O Retrato de uma Dama, sua obra mais extensa e popular e que encerraria a primeira fase da produção de James. Fase de aprendizado, de sucesso, de descoberta e de uso de temas cosmopolitas.
Em outubro de 1881, Henry James recebe a notícia de que sua mãe está doente. Arruma as malas e viaja para os Estados Unidos. Instala-se em um hotel em Boston, onde escreve à vontade e aproveita horas livres para visitar Nova York e Washington. Em janeiro de 1882 sua mãe morre. Em dezembro está de volta à Europa, e logo recebe outra notícia que o faz arrumar as malas novamente: agora é seu pai. Viaja apressadamente, mas não chega a tempo de encontrar seu pai vivo. Corre ao cemitério e junto ao túmulo, depara com uma carta de seu irmão William: “Boa noite, adorado pai. Se eu não te vir de novo, então adeus, um feliz adeus”.
Henry ficou na América até agosto do ano seguinte. Depois retornou novamente à Inglaterra. Sua produção não sofreu abalos. Ao contrário: durante a década de 1880 escreveu vários contos, a novela The Reverberator e os três romances considerados naturalistas: Os Bostonianos, Princesa Casamassina e A Musa Trágica.
Os Bostonianos trata dos reformadores da Nova Inglaterra. Princesa Casamassina fala dos anarquistas europeus. Nos dois romances as cenas da vida urbana mostram uma visão bastante ampla das cidades de Boston e Londres. Os leitores, porém, esperavam mais contos dos americanos na Europa ou de viajantes estrangeiros na América. Por isso, as duas publicações foram um fracasso.
Henry James não se deixou abalar. Continuou a compor seus contos, nos quais se percebe uma constante evolução de técnica aliada a temas mais ricos e variados. Os escritos desse período podem se agrupados por assuntos: internacionais – alguns na América, outros na Europa – sobre o casamento e sobre artistas. Ao primeiro grupo pertence Lady Barberina, publicado em 1884, história de uma jovem inglesa que se casa com um rico médico americano. Entre os contos do segundo grupo destaca-se A London Life, uma análise da corrupção do casamento. Por fim, dos contos sobre artistas, distinguem-se The Author of Beltraffic, cujo tema é a incompatibilidade de gênio entre um artista e sua esposa, e , que trata do casamento de um escritor e dos efeitos dessa união sobre seu trabalho.
O romance The Reverberator, de 1888, é uma produção menor, que pode ser utilizado como argumento contra as opiniões de que James era sério demais: seu tema é o jornalismo mexeriqueiro, o colunismo social. Em 1889 o escritor fez nova tentativa naturalista no romance com A Musa Trágica, mas que também não alcançou êxito com o público. No fim da década de 1880 o escritor era considerado um artista de extraordinária habilidade artesanal e havia recebido o reconhecimento da crítica. Mas o sucesso não se traduzia em dinheiro. Por isso, em 1890 resolveu tentar o teatro, muito mais rendoso na época. Assim, de 1890 a 1895 escreveu sete peças, das quais apenas duas foram encenadas. Na primavera de 1890 terminou a dramatização de O Americano, que embora bem recebida pela crítica, não alcançou sucesso com o público.
Em 1892 fez a versão teatral de Daisy Miller, recusada pelo empresário, que a considerou literária demais. James, contudo, não desistia de conquistar o palco. Em 1893 escreveu mais quatro peças, que também não chegaram a ser montadas. No ano seguinte, publicou-as em forma de livro, sob o título de Theatricals.
Em 1895, o popular ator e produtor George Alexander encenou a peça Guy Domville. A estréia foi um desastre. No segundo ato quando a Sra. Domville apareceu com um alto chapéu preto, alguém gritou: “Onde foi que você arranjou esse chapéu?”. E no final, quando Guy exclama: “Sou, meu senhor, o último dos Domville”, uma voz respondeu: “E já não é sem tempo”. Até esse instante James não estava no teatro; chegou ao cair do pano e apresentou-se à platéia. Foi uma tempestade de vaias. Em uma carta, o autor referiu-se ao episódio como um “dos mais detestáveis incidentes da minha vida”.
Antes de Guy Domville James havia escrito a peça The Other House, publicada em 1896 e jamais encenada. Depois de Guy Domville, ainda tentou conquistar o público teatral com Summersoft, representada, com algum êxito, em 1908, sob o título The High Bid.

Apesar dos fracassos, James continuou insistindo no teatro até 1909, quando escreveu sua última peça, The Outcry. A obra deveria ser representada na temporada desse ano, mas atrasos na revisão do manuscrito e no preenchimento do elenco foram adiando a estréia, que acabou cancelada.
Entristecido, James desistiu do palco. Retirou-se definitivamente de Londres e mudou-se para Lamb House, em Rye, cidade costeira do Sussex. Voltou a compor romances, novelas e contos. Até 1900 concluiu um grande número de obras de ficção, além de mais de 20 contos. São desse período suas experiências com o relato fantástico, em que se destaca A Outra Volta do Parafuso.
No entanto, mais importantes que os temas são as inovações técnicas introduzidas por Henry James. O teatro deu-lhe muitas lições: apresentação da ação por meio da cena, uso do diálogo como processo narrativo e supressão do autor onisciente como informador e comentarista. Seus escritos posteriores constituiriam a sua maior fase. Nos primeiros dez anos do século XX, Henry James trabalhou intensamente. De 1900 a 1904 escreveu seus três maiores romances: Os Embaixadores, As Asas da Pomba e A Taça de Ouro.
Em 1904 viajou para a Flórida e para a Califórnia, onde realizou algumas conferências. Quando retornou à Inglaterra, escreveu The American Scene, um livro de observações sobre suas viagens.
Embora tenha sido publicado em 1903, Os Embaixadores foi concluído antes de As Asas da Pomba; apareceu, a princípio, na North American Review, em capítulos.

Nos dois romances analisou dramas humanos, dentro dos grandes sistemas sociais que o homem criou e dentro das idéias pelas quais edificou sua civilização, conservando-se um realista apegado às coisas visíveis e palpáveis.
Em A Taça de Ouro, James procura solução para problemas não resolvidos em trabalhos anteriores. Havia muito tempo queria escrever sobre o adultério: não podia fazê-lo, pois as familiares revistas americanas obrigavam-no a tratar o tema superficialmente. Como não havia planos para o romance ser publicado em série, sentia-se livre para abordar o assunto sem nenhuma restrição. Foi o que fez.
Na mesma época foram publicados mais três livros de contos:The Soft Side, The Better Sort e The Finer Grain.
Dessas coletâneas o conto mais popular é The Beast in the Jungle, que narra a história de um indivíduo tão egoísta que era incapaz de perceber o mundo à sua volta, de compreender e de amar. Esse conto é uma representação alegórica da insensibilidade, da cautela e da falta de ação que, segundo o autor, caracterizam o homem moderno.
Nas horas de folga dedicava-se à preparação da chamada “Edição Nova York” de suas obras. A cada romance e livro de contos, juntou um longo prefácio, no qual fez reflexões sobre os princípios de sua arte e os formula claramente. Mais tarde esses prefácios foram reunidos num volume sob o título The Art of Novel, em que três elementos se destacam: o estudo do processo de criação, a forma pela qual chegou a escrever histórias e as associações pessoais despertadas por uma nova leitura de sua própria obra. Esses trabalhos forneceram à crítica uma terminologia valiosa para a discussão do romance, que até hoje é amplamente utilizada.
Embora não tenha voltado a escrever romances, sua produção literária dos últimos anos foi extraordinária. Dedicou-se a elaboração de textos autobiográficos, críticos e de viagens. Escreveu English Hours, Italian Hours e Little Tour in France. Pouco antes do início da Primeira Guerra Mundial, publicou Notes on Novelists com estudos sobre Zola, Flaubert, Balzac, H. C. Wells e Bennet, além de dois volumes de memórias: A Small Boy and Others e Notes of a Son and Brother. Um terceiro livro sobre sua vida em Londres e Paris – The Middle Year – seria publicado somente após sua morte.
Em 1910 William James viajou à Europa para tratamento de saúde. Embora não estivesse muito bem, Henry acompanhou-o de volta à América. William piorou e faleceu no dia 26 de agosto.
Profundamente abalado, o escritor ficou na América até agosto do ano seguinte. Antes de retornar à Inglaterra foi homenageado com o grau honorário da Universidade de Harvard. Meses depois recebeu o título de Doutor Honorário de Oxford.
Em 1913 seus setenta anos foram intensamente comemorados.
Em agosto de 1914 começou a guerra. Henry James cessou toda a sua atividade literária, lamentando “o horror de ter vivido para testemunhar tudo isso”, e ingressou num grupo de americanos que voluntariamente prestavam assistência espiritual aos feridos. Nas horas vagas redigia vários artigos sobre os refugiados de guerra.
Desejava que os Estados Unidos se aliassem à Inglaterra e à França. Irritado com a neutralidade do presidente Wilson, adotou a cidadania britânica em 26 de julho de 1915.
Em dezembro desse ano sofreu um derrame. Em 28 de fevereiro de 1916, morreu aos 73 anos. Seu corpo foi cremado e suas cinzas enviadas para a América e colocadas no jazigo da família, em Cambridge, Massachussetts.

“A arte faz a vida, o interesse, a importância; não conheço nenhum substituto que tenha a força e a beleza deste processo.”

 Henry James

Fonte :Grandes Autores – Biografias – Faz parte de minha coleção Obras Primas- Editora Nova Cultural 2002. As imagens foram fotografadas do próprio livro – págs 708; 710; 711; 715; 716 e 718.

Marcia Lopes

Paulistana, bookaholic. Louca por livros de terror,Thriller psicológico, policial, jurídico... Mas não dispensa um bom romance. Também apaixonada por filmes e séries.

3 Comentários em “Henry James [Vida e Obras]

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