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Leo Vieira: LIVRO GROSSO OU LIVRO DE BOLSO?

Na onda dos Best Sellers e trilogias é muito comum que o escritor tenha vontade de acrescentar enredos e sub-enredos em sua obra, para transformá-la em um conteúdo mais amplo em três partes ou até mesmo em uma série. Isso tem acontecido comigo, quando publiquei “Alecognição”, há quase dois anos e agora, que estou escrevendo séries de livros infantis.
“Alecognição”, na verdade, foi uma forma de não esteriotipar os romances de suspense que eu já tinha quase prontos. Decidi reunir as 23 melhores delas e transformá-las em episódios para um só personagem e seus núcleos. Os temas são bem variados e fogem dos padrões repetitivos e cansativos.
Um detalhe importante é analisar se os dois enredos não podem ser mesclados em uma história só. Isso tornaria a história mais interessante. Um herói com um conflito paralelo ou então, um coadjuvante com um conflito importante para o fechamento da obra. Isso dependerá da disposição do autor. No meu caso, os temas eram distintos demais para unir em apenas um livro.
Se a sua obra for grande demais e passar de quinhentas páginas, faça uma nova revisão e organização de capítulos e divida-a em duas partes. Será mais fácil para investir e comercializar. Agora se a obra ficar curta demais, você pode reunir junto com outras crônicas e lançar em uma coletânea. E se por acaso, ficar no meio termo, com vinte laudas? Aí nesse caso, recomendo em formato de LIVRO DE BOLSO.

Alguns escritores têm certo preconceito em publicar livros nesse formato. Outros também julgam como obra preguiçosa e de pouco aprofundamento e interesse do escritor. Seja como for, os livros de bolso estão longe de serem julgados de forma pejorativa. Os ‘minute book’ (como são conhecidos lá fora) são muito respeitados e facilmente comercializados nas gôndolas de bancas de jornais, nas lojas de conveniência, nas estações ferroviárias, nas rodoviárias, em aeroportos e é claro, nas livrarias. Por apresentarem uma história mais curta (no máximo, duas horas de leitura) e serem fáceis e práticos de transportar, são muito mais aceitos em filas e viagens.
Para que um romance tenha o tamanho e o corpo de um livro A5 (14×21 cm), ele precisará ter no mínimo 70 páginas, para que ele possa ter lombada e ficar parado em pé. Se ele tiver menos do que isso, ficará em grampo canoa e se tornará um encarte. Ou então, diminua o tamanho das páginas (12×18 cm).

O best seller “Quem Mexeu no Meu Queijo” do psicólogo Spencer Johnson é uma crônica muito popular, também publicada em formato de bolso, mundialmente conhecida. Outro livro de bolso que vendeu muito exatamente pela simplicidade e praticidade foi “Mensagem a Garcia”, do filósofo Elbert Hubbard, que narra uma curta e reflexiva jornada do soldado que leva a mensagem do presidente estadunidense McKinley ao general Calixto Garcia Íñiguez, líder das forças rebeldes cubanas durante a Guerra Hispano-Americana. A lição principal que a história deixa é “Cumprir eficazmente uma missão, por mais difícil ou impossível que possa parecer”. O livrinho foi amplamente comprado por indústrias e pelos exércitos em dezenas de países e distribuído aos funcionários, fazendo um sucesso instantâneo.

Livros grossos e em séries servem para apresentar e sustentar um universo particular do autor e livros de bolso são para apresentar uma lição prática e eficaz. Ambos têm o seu valor especial e devem ser apreciados e respeitados.

 

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Leo Vieira

Sou ESCRITOR (romances, contos, crônicas, composições musicais e roteiros [com filiações e reconhecimentos acadêmicos]), ATOR (teatro e dublagem [tenho DRT]), ILUSTRADOR (personagens próprios, quadrinhos independentes e desenho animado) e PRODUTOR CULTURAL (feiras literárias). Minha formação é teológica; atualmente estou estudando Letras, Jornalismo, Cinema e Marketing.

38 Comentários em “Leo Vieira: LIVRO GROSSO OU LIVRO DE BOLSO?

  • Oi Leo!
    Eu já li vários livros de bolso quando era estagiária, realmente são mais fáceis de carregar e as leituras são bem rápidas. Concordo muito com você que ambos devem ser respeitados e acho que os livros grossos são mais profundos mesmo, mas não dispenso um bom livrinho de bolso!
    Beijos

  • Oi. eu amo livro de bolso, aliás, publiquei um, adoro a ideia. Quanto a livros com continuação, estou fugindo, pois, por uma questão mais que capitalista que literária, editoras têm investido muito nisso.

    • Oi, Lilian. Eu também gosto muito. Também cheguei a escrever muitas histórias curtas que devem preencher um livro de bolso futuramente. O autor deve pensar em tudo mesmo, principalmente se é ele que está investindo na produção por demanda. Porque não vai adiantar nada um livro de 100 páginas custar mais de R$30.
      Beijos e boa sorte,
      Leo Vieira

  • Olá,
    Eu não tenho preferencia. Leio em todos os formatos, se bem que ebooks não são muito minha praia. Mas falando de livro de bolso acho ótimo para carregar, mesmo alguns tendo a fonte muito pequena, mas não tenho problemas com isso.

    http://euinsisto.com.br

    • Oi, Debyh. Verdade; eles deviam se atentar ao tamanho da fonte mesmo.
      Sobre e-book eu tenho gostado. Até comprei um kindle pra não me prender tanto ao monitor.
      Beijos,
      Leo Vieira

  • Nunca pensei nesse assunto, mas acho válida a discussão. Livros de bolso são menos atraentes para alguns – muitos – leitores; mas são melhores pela facilidade de carregá-los e também pelo preço, que costuma ser mais baixo. Por exemplo, muitas vezes opto pelas versões de bolso dos livros do Stephen King, porque são muito mais em conta e, afinal de contas, possui o mesmo conteúdo.
    Bem, vou pensar mais sobre o assunto; enquanto isso, compartilharei seu texto com colegas escritores e leitores.
    ótima matéria, abraço!

    • Obrigado, Gabriele. Nem é somente por isso. Eu já li histórias boas, porém enfadonhas somente pelo fato de serem longas demais. Poderiam muito bem ser resumidas em livros menores.
      Abraços,
      Leo Vieira

  • Adorei! Acho que não importa o formato do livro, mas sim seu conteúdo. Já li muitos livros de Bolso. E não vejo problema!
    Bjus

  • Oie
    boa discussão, eu gosto bastante de livro grosso mas realmente é um problema carrega-los e as vezes os de bolso sao totalmente uteis, adorei o post

    Beijos
    http://realityofbooks.blogspot.com.br/

  • Oi, Leo. Tudo bem?
    Não tenho nenhum preconceito com livros de bolso, inclusive tenho vários aqui em casa, muito amados. Não sei se tu conhece o autor Marcelo Antinori? A coleção dele é um amor, todos os livros são bem pequenos, de bolso mesmo e são incríveis, sou apaixonada.
    Mais um texto incrível que tu escreveu, estou ficando bem mais esperta no assunto publicação haha Beijos <3

    • Que ótimo, Roberta.
      Não o conhecia. Fiz uma consulta e li bons elogios sobre ele. Você também conhece Ryoki Inoue? Ele é brasileiro e escreveu mais de 1200 livros, sendo que 1 mil deles são de bolso! Para não virar “concorrente dele mesmo” as editoras usavam 39 pseudônimos diferentes. Muitas dicas dele eu aproveitei na construção de meus textos.
      Beijos,
      Leo Vieira

  • Oiii,
    Adorei as dicas e seus pontos de vista no texto, faz pensar muito em muitas coisas que abordam o tema, eu particularmente não tenho nada contra continuações só não gosto que se perca nelas. rsrs
    Parabéns pelo trabalho.

    Beijos

  • Como sempre, mais um post maravilhoso e recheado de conteúdo.
    Tenho um amigo que está escrevendo um livro, vou mandar pra ele.
    Beijos

    blog-myselfhere.blogspot.com.br

  • Oii, tudo bem?
    Adorei as dicas e informações que você deu, podem ser bem úteis no futuro 😀

    Abraços!
    http://lendocomobiel.blogspot.com.br/

  • Morgana Brunner
    12 meses ago

    Oii Leo, como vai?
    Tive uma fase da minha vida em que eu só queria livros grossos e odiava edição de bolso, mas fui percebendo que edição de bolso é vida, cabe tudo nas minhas coisas então acabou facilitando a minha vida. Adorei as dicas <3
    Beijinhos

    • Oi, Morgana. Que bom que também pensa assim.
      Há uma frase que diz que “nos menores frascos estão os melhores perfumes”. Livros pequenos também podem ocultar grandes surpresas.
      Beijos,
      Leo Vieira

  • Oie, tudo bem? Muito interessante o seu post, o seu ponto de vista é bem bacana também. Gostei do texto e compartilho da mesma opinião, ambos os formatos tem seu valor!

  • Boas dicas de como iniciar um livro! Acredito que todos nos nascemos com essa capacidade, mas nem todos conseguem desenvolvê-la. Te parabenizo por você ser um deles, e espero ter contato com sua obra. O maior problema aqui no Brasil são os altos custos para se publicar um livro fisico, que na maioria das vezes saem mais caro do que escrever e em seguida vender.

    • Oi, Amanda. É verdade, mas felizmente com alguns aprendizados sobre tramitações e registros e também sobre diagramação e artes, é possível criar e registrar um livro gastando pouco.
      Boa sorte,
      Leo Vieira.

  • Olá, foi ótimo ler esse post, pois participo de um grupo de escritores e essa questão do tamanho do livro sempre gera dúvidas. Dicas anotadas!
    Eu particularmente não ligo muito para o tamanho do livro, como leitora, pode ter menos de 100 ou mais de 500 que eu leio.

    • Que ótimo, Mari. Compartilhe com seus amigos e tofos eles são bem-vindos para conferir as postagens.
      Beijos,
      Leo Vieira

  • Bom abordar esse assunto, assim queles que querem ser escritor saberão o que devem ou não fazer em suas obras! Parabéns pela postagem.

    Atenciosamente Um baixinho nos Livros.

  • Oi Leo, que ótimas dicas estas suas, e principalmente pelas explicações das suas opiniões. Nunca pensei muito a sério nisso, talvez por não ser escritor. Falando como leitor, eu não encaro de modo nenhum um livro de bolso como uma forma “preguiçosa” ou pejorativa. São muito bons para colocar na bolsa 🙂
    Falando a verdade, livro para mim pode ser de bolso, edição econômica, grosso estilo tijolão, médio, tanto faz…kkkkk
    Bjs!

    • Olá.
      Concordo com vc em gênero, número e grau! rs
      Mas isso como leitora, não sei os custos de livros com muitas páginas.
      Mas mesmo lendo em qualquer formato, ainda prefiro volumes únicos.
      Bjs
      (A intrometida) rs

    • Muito obrigado! 🙂
      Beijos,
      Leo Vieira.

  • Olá.
    Escrevi um livro a dois anos atras e acho que o livro vai ficar com umas 500 páginas ou quase 500, foi muito bom seu post, realmente você deixou várias dicas importantes.
    Adorei, vou seguir seu conselho e vou dividir ♥

    • Oi, Taty. O problema de livros muito grandes são somente na hora de investir na impressão e pra vender, pois acabam ficando muito caros. Talvez você possa dividir em duas partes ou fazer uma trilogia. Mas todo projeto bem estruturado alcança o sucesso.
      Beijos e boa sorte,
      Leo Vieira

  • Realmente, sempre com ótimas dicas e informações. Todo o formato de livro tem o seu momento, realmente para carregar e ler em filas e ônibus os de bolso são excelentes.

    http://www.atraentemente.com.br

    • Obrigado, Evandro. E não é só isso. Muitos livros de bolso carregam boas histórias e conteúdo.
      Abraços,
      Leo Vieira

  • Oii, gostei muito do post, suas dicas são bem legais para autores iniciantes. Parabéns 😀

    http://madminds.weebly.com/

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