PUBLICIDADE

[Divulgação] O sorriso da cachorra‏ – Daniel Barros

Edição: 1
Editora: Thesaurus Editora
ISBN: 9788564494343
Ano: 2011
Páginas: 192
Daniel Barros, ao contar a história de dois jovens, André e Patrícia, acaba por narrar um período importante e significativo da cidade de Maceió. O Sorriso da Cachorra é uma novela de amor e sexo, mas tem como pano de fundo acontecimentos sociais e políticos muito caros ao Autor que, à maneira de Jorge de Lima, Graciliano Ramos, Ledo Ivo, não deixa de mostrar os dois lados de uma mesma moeda. Seus personagens, geralmente alunos universitários e funcionários públicos, transitam com certo embaraço e de antenas ligadas pelas ruas, casas noturnas, salas de aula e praias, próximas ou distantes, pois “sentem” que o “inimigo” está sempre à espreita.
André e Patrícia, depois de se conhecerem em circunstâncias desfavoráveis, acabam se apaixonando e levando o romance às últimas consequências. E lutam contra tudo e contra todos para atingir seus objetivos. Muitas vezes lutam e relutam contra si mesmos, pois, embora conscientes do que querem, são voluntariosos e orgulhosos como qualquer jovem. Mas Daniel soube dar-lhes contornos humanos verossímeis, o que os torna seres de carne e osso. Boa leitura.
Comprar

Texto de João Carlos Taveira
Prefácio
O desejo de expressão é inerente à espécie humana, potencializado quando se refere ao sentimento. É preciso por para fora para não se sufocar, é, como dizia Paulo Leminski no poema Pergunte ao Pó: “… o que a gente sente / e não diz / cresce dentro”.
A novela O Sorriso da Cachorra é expressão extrema desta necessidade e, como na realidade, virtualiza o sentimento amoroso agigantando-o e independendo-o, como se tivesse vida própria ou como se estivesse escrito nas estrelas. Tal arrebatamento é comum na juventude quando fisgada por uma espécie de alterego: a resposta positiva, valorizadora, apaixonada que parece devolver o homem à sua devida estatura espiritual.
O enredo se dá num longo período de tempo, cerca de dez anos, o que me faz lembrar alguns livros de Jean Paul Sartre pela antítese estético-estrutural: volume de romance e curto espaço de tempo no enredo, como na Trilogia da Liberdade, onde seu primeiro livro, A Idade da Razão, salvo engano, se dava em cinco dias corridos. Mas o velho Sartre diria algo, mais tarde, que nos ajudaria a compreender o arrebatamento de Daniel Henrique, ou melhor, da personagem André no O Sorriso da Cachorra: A vida é ação.
O livro de Daniel é pura ação e quase nenhuma imaginação, só a de expor seus personagens, suas ilusões cotidianas e, aparentemente, nenhuma desilusão. Até o fim parece imitar a vida e seu conteúdo é mesmo uma opção pela vida, “com tudo de insolvente e provisório”, como poetizou Carlos Penna Filho em seu genial A Solidão e Sua Porta. Numa tentativa, romântica, de querer comungar um sentimento pessoal, o autor sobrepõe a ação à literalidade e, com isto consegue, em determinados quadros, comover o leitor com a pureza infantil, inocente, do sentimento amoroso.
Toda narrativa de O Sorriso da Cachorra tem como fonte inspiradora a paixão, a paixão da juventude, aquela que a tudo diminui e torna insuficiente, até mesmo a pessoa amada… É preciso mais, muito mais! Tanto que o personagem André, apesar do fascínio por Patrícia, apesar de sua sincera devoção, não se faz de rogado diante das oportunidades sexuais oferecidas fortuitamente graças a sua transbordante libido e seu declarado poder de sedução. Mas não é só na relação sexual, lato sensu, que se manifesta esse romantismo apaixonado _ pleonasmo necessário para evidenciar a opção conteudística do livro – mas também na relação política, como se o nascedouro das expressões daquela vida não jorrasse outro sentimento.
A novela literária de Henrique parece desprezar apresentações as suas personagens, ele e ela. Para além do psicologismo evocado por outros autores, como Machado de Assis, Lima Barreto, seu conterrâneo Graciliano Ramos e o contemporâneo Raimundo Carreiro, ele opta – se de fato for intencional – pelas atitudes sociais, deixando para o leitor a responsabilidade de compor o conteúdo espiritual e psicológico das personagens, o que me faz lembrar os experimentos estéticos de Hélio Oiticica, como o do projeto Magic Square que oferecia ferramentas sensoriais para serem experimentadas e reinterpretadas individualmente pelos “expectadores”- que ponho entre aspas porque, na intenção do autor seriam co-autores a partir do momento que interagissem com a obra.

“Foi rapidamente descumprindo o acordo com o doutor, pegou os exames e procurou a pequena garrafa de uísque, mas estava vazia, não esperava precisar dela naquele dia. Como poderia suportar tudo aquilo com apenas dois copos de vinho. Na volta para o hospital, parou e comprou uma pequena garrafa de uísque e já começou, ali mesmo, a bebê-la…”. O tema bebida alcoólica é recorrente na trama de Daniel Henrique e, só neste trecho da novela o motivo parece se identificar com o da letra Meu Caro Amigo, do Francis Hime e Chico Buarque quando, esmagados pela ditadura militar, declaram que “sem a cachaça ninguém segura esse rojão”. No mais, a bebida, aparece, apologeticamente, como signo afirmativo, talvez, de uma suposta intelectualidade. E, nisto, mais do que a criação de personagens, o narrador encarna o próprio espírito juvenil, afeito a padrões, a estereótipos.
A novela O Sorriso da Cachorra, se poema, seria uma ode à paixão, com toda sua ousadia, encantamento, ilusão… e loucura. O diálogo a seguir, entre ele e ela, André e Patrícia, fecharia com chave de ouro esta odisséia humana em busca de sentido, de complemento, de plenitude:
“- Você sentiu? – disse ela.
– O que?
– A terra? Parece que estava se mexendo. Como você fez isto?
– Não acredito que você também sentiu.
– Nunca tinha acontecido isto desta forma, como se só existisse um corpo.
– Como se nós tivéssemos nos transformado em uma só pessoa.
– Foi o que senti também.
– A areia parece que nos envolveu num casulo.
– E agora nascemos um só, como se algo nos ligasse como gêmeos siameses.
– Vamos entrar no mar?
– Tenho medo.
– Estou com você, não tenha medo.”

A tragédia teria um fim surpreendentemente bem humorado, não fosse o contexto de dor, como Tanatos com uma caneca de chope sobre a cova de Eros em plena Pajuçara, análogo a cena de chegada ao lado de André, da cachorra e seu sorriso, afirmação da fatalidade refletida na indiferença e na continuidade da vida.

[Ivan Marinho – Membro da Academia Cabense de Letras. Pernambuco.]
Daniel Barros

Perfil do autor no Facebook

 

Marcia Lopes

Paulistana, bookaholic. Louca por livros de terror,Thriller psicológico, policial, jurídico... Mas não dispensa um bom romance. Também apaixonada por filmes e séries.

Um Comentário em “[Divulgação] O sorriso da cachorra‏ – Daniel Barros

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Siga - me