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[Resenha] Diário de um Desertor – Gilson Pinheiro

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Olá pessoal.

Eu demorei tanto para postar essa resenha porque todos “zilhoes” de rascunhos  não fazia jus ao livro. Tudo bem nem essa faz. O livro é 10 estrelas sem dúvida.

Sinopse

Adnan era sargento da Divisão Blindada de Damasco, sendo condecorado em 2008 pelo presidente Bashar al-Assad. Após os ideais de liberdade da Primavera Árabe invadirem o território sírio, o governo resolveu agir com atrocidade contra a população civil. Adnan discorda da barbárie da opressão e resolve desertar para aliar- se ao Exército Livre da Síria. Mas o seu maior desafio será escrever o Diário de um Desertor e entregá-lo pessoalmente ao ditador Bashar al-Assad. Porém, terá de confrontar com os ideais de califado exercido pelos fundamentalistas do Estado Islâmico.

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Dos horrores da guerra civil ao extremismo do estado islamico, Gilson Pinheiro nos leva á Síria para conhecer Adnan e seu Diário de um desertor.

Adnan, jovem soldado da Quarta Divisão Blindada de damasco, estava prestes de concluir sua Hajj (fazer pelo menos uma vez na vida uma peregrinação à meca). E para isso, Adnan economizou 3 anos.
Existem alguns momentos que podem parecer bobos, triviais até, mas que tem o poder de mudar nossa vida. Por exemplo: Adnan estava na casa de câmbio, afim de trocar as moedas para a viagem a hajj, e esse foi um desses momentos. De repente, a casa de câmbio estava sofrendo um assalto, o que os assaltantes não esperavam era que um soldado estivesse lá. Contra todas as chances, Adnan imobilizou e neutralizou os três assaltantes. E estava feito. Quase que imediatamente Adnan virou notícia em toda Síria e logo depois foi condecorado pelo próprio presidente Bashar al-Assad. O ano era 2008.

2011. Adnan acompanhava pela tevê os acontecimentos da Primavera Árabe oriente médio afora e não imaginava que o país estava prestes a entrar numa guerra civil, impulsionada pelo desaparecimento de três jovens protestantes.
Para conter as manifestações cada vez maiores, Bashar al-Assad contratou a temida milícia chamada shabiha.
Bassam, melhor amigo de Adnan na quarta divisão blindada, se vê prestes a desertar do exército, uma vez que os soldados da Shabiha são verdadeiros monstros e os soldados da divisão blindada são obrigados a matar (isso mesmo, matar!) civis inocentes.

“O movimento de protestos que tomou conta de grande parte do Oriente Médio foi batizado de primavera, porque os analistas políticos julgavam ser apenas uma onda revolucionária efêmera, que duraria no máximo o período de uma estação do ano. O que nenhum analista ou assessor político poderia supor era que a autoimolação de um vendedor ambulante na Tunísia ascenderia o pavio que eclodiria em revolta em parte do Oriente Médio e do Norte da África, destituindo ditadores que reinavam incontestáveis, durante décadas.”

Adnan pensa diariamente em desertar e lutar pela liberdade democrática do país, o que o impede é o medo pela família. O medo do próprio exército fazer alguma coisa coisa com seus familiares e entes queridos. Adnan se vê obrigado a desertar para o Exército Livre da Síria depois da missão de encontrar uma jornalista, Marie Colvin, conhecida sua, que estava fazendo reportagens sem autorização de Assad. Depois de ver o que o governo de Assad estava fazendo com os sírios que nada mais queriam do que liberdade e justiça, e de ver com os próprios olhos a situação de sua amiga jornalista, ele decide desertar. Compra passagens para sua mulher e filhos com destino a Turquia para que eles fiquem em segurança e larga o exército de vez.

“Era a terceira vez que alguém lhe aconselhava a desertar e aliar-se ao exército livre da Síria. Não havia dado credibilidade ao conselho quando, primeiro Bassam e, depois, Marie Colvin tentaram persuadi-lo a abandonar o exército que defendia o regime de Bashar al-Assad para alistar-se no ELS (Exército Livre da Síria).”

A guerra, acredito que ela consiga tirar o que tem de mais grotesco no ser – humano, e é isso que nosso protagonista presencia depois de desertar. Bashar al-Assad não tem dó nem piedade dos soldados desertores, através da mídia ele dissemina a história de que o ELS não passam de terroristas, quando na verdade, o intuito dos desertores é depor o ditador do Assad e assim, conseguirem uma Síria mais justas e democrática.

Bassam então, passa a registrar tudo que ele presencia nessa guerra, a história dos soldados desertores, as dores, as perdas e o desespero, tudo registrado em seu diário e o intuito é simples, dar para Assad ler os horrores que ele cometeu contra os próprios cidadãos sírios.

Não demora muito para que seu melhor amigo, Bassam, passe a missão de registrar tudo, todos os horrores da guerra no diário para Adnan, que aceita como uma missão pessoal escrever a próprio punho tudo pelo que estão passando.
Cada dia é um inferno que renasce, mas Adnan não desiste. Ele é um Muçulmano fiel e segue piamente os seguimentos de amor e paz de Maomé como um verdadeiro muçulmano. Adnan é um homem de fibra, de palavra e de honra, mas coisas ruins acontecem com pessoas boas o tempo todo. Adnan foi capturado pelo Exército de Assad e foi torturado. Também descobre que na verdade sua família esteve esse tempo todo num campo de refugiados. Adnan aceita a missão quase que suicida de se infiltrar no estado islamico. Adnan atravessa o deserto e enfim, pode-se dizer que é um personagem que conheceu um pouco do inferno. Sempre sendo fiel a promessa que fizera a Bassam e escrevendo no diário. De certa forma leitor, é como se ele tivesse nascido para isso, não para a guerra, mas para lutar pela liberdade, dado sua árvore genealógica e sua ligação com Numir Al-Assad, um dos assaltante que ele deteve na casa de câmbio, eles se encontrar mais de uma vez e Numir sabe coisas sobre o passado de Adnan que ele nem mesmo sonha em saber, ou será que talvez sonhe?

Diário de um desertor é um grande romance de guerra. Gilson Pinheiro tece um intrincado de acontecimentos desde o primeiro capítulo, segura firme o fluxo de acontecimentos e desdobra magistralmente nos capítulos finais. São vários os capítulos em que me emocionei e não tem como não se emocionar. Os personagens são fictícios, mas a história é baseada em eventos reais, não é como ler qualquer outro livro. Você sabe que aquilo que está escrito pode ter acontecido mesmo, o que emociona e nos faz refletir. O protagonista, como todos os personagens são muito bem construídos, o que traz mais realidade ainda ao livro. O desfecho foi maravilhoso, uma vez que teve final feliz, eu esperava alguma coisa chocante, em se tratando de um livro de guerra. Diário de um Desertor é o tipo de livro que fica bem gravado na sua memória e que você precisa compartilhar. Então leiam, e compartilhem, Diário… É sem dúvida um dos melhores livros que eu li esse ano (até agora 🙂 ).

Dados do livro

Diário de um Desertor
Autor: Gilson Pinheiro
Data de publicação: Abril de 2016
Número de páginas: 452
ISBN: 978-989-51-6797-5
Colecção: Viagens na Ficção
Género: Ficção
Idioma: Pt
Editora Chiado
Compre o livro na Livraria CHIADO

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Lucas Rodrigues

22 anos, Leonino, Potterhead e escravo da literatura. Perdido no mundo das séries e filmes desde 93. Flertando com Stephen King, Namorando J.K. Rowling e uma crush lascada pela Jodi Picoult. Se me virem de cara feia por aí é fome.

17 Comentários em “[Resenha] Diário de um Desertor – Gilson Pinheiro

  • Gostei muito de suas postagens e gostaria de uma opinião sobre o meu , que ainda é um embrião ,https://alimentoehigiene.blogspot.com.br/

  • Eu ainda prefiro os romances e os versos rs .. mas otima resenha!

  • Elaine Pinheiro
    11 meses ago

    Obrigado Lucas pela bela resenha. Levei três anos para escrevê-lo e está sendo
    gratificante receber elogio dos leitores. Quem não leu recomendo.
    Abraços; Gilson Pinheiro.

    • Gilson, eu que agradeço, ler Diário… Foi uma experiência incrível! Abraços

  • Sua resenha foi tão perfeita e bem explicada que é impossível não querer ler esse livro.
    Uma grande história sem dúvidas.

    Beijos! ❤

    • Obrigado pelo elogio Vitória 😄, o livro é maravilhoso, recomendadíssimo. Abraços.

  • Parece ser uma história impressionante. Histórias deste tipo sempre nos fazem pensar mais no próximo, já que nos levam a sentir a dor do outro de uma maneira bastante profunda normalmente. Parabéns pela resenha 😀

    http://madminds.weebly.com/

    • Sim Leticia, Diário de um Desertor é um livro que nos faz refletir bastante. É um livro emocionante, leia se você tiver a chance! Abraços.

  • É uma grande história e, com certeza, um grande livro. Ouvi tantos elogios que é possível não querer ler logo esse livro. Histórias de guerra sempre despertam o que há de bom ou ruim nos seres humanos. Parabéns, resenha incrível.

    atraentemente.blogspot.com

    • Exatamente Evandro, se de um lado temos pessoas fazendo coisas horríveis em uma guerra, também existem pessoas extraordinárias que colocam a própria vida em risco pra ajudar o próximo. Abraços.

  • Edna Guedes
    11 meses ago

    É bom de vez em quando sair dos sonhos românticos. Interessei-me por essa história desde a postagem da parceria.
    Parabéns, Gilson Pinheiro.

    • Um tem pinho atrás eu também só lia romance, hj em dia eu tenho lido de tudo menos romance haha, embora seja um dos gêneros que eu mais goste!! Abraços

  • Eu não gosto muito de histórias sobre a guerra pois, infelizmente, são as que mais doem para ler. Mesmo se tratando de personagens fictícios, creio que deve ser uma experiência extremamente chocante a leitura da obra. Mas fiquei intrigado, devo dizer. E sobre a guerra liberar o pior que há no ser humano… Acredito que tu não poderia estar mais certo. Mesmo sendo utópico, acho que é importante não deixarmos de acreditar em um mundo melhor. Abraços! 😀

    • Felipe, já eu adoro romances sobre guerra, e sim, sempre chocam bastante. Mas se tiver a oportunidade não deixe de ler Diário de um desertor, é fantastico. Também acho que não podemos perder a esperança de um mundo melhor. Abraços ☺☺

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