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[Resenha] O Conto da Aia – Margaret Atwood


Olá pessoal!
A descrição que segue abaixo já diz tudo que você precisa saber sobre o livro e por isso nem vou me estender .
Eu tomei conhecimento do livro depois de assistir a série “The Handmaid’s Tale” e queria me adiantar à segunda temporada, já que a primeira conta com 10 episódios e termina deixando milhões de perguntas a serem respondidas. Então, pesquisei e baixei o exemplar, porém, já lhes digo que o final é somente especulativo e não poderia deixar de ser acredito eu.

Foi uma leitura muito inquietante e depois que terminei tanto o livro quanto a série tenho visto comentários políticos e religiosos com outros olhos. A mim, serviu como retirada de uma trave nos olhos e aqui há uma ironia, sendo que o enredo de O Conto de Aia é sobre o poder dado aos homens com a total corroboração da religião.

E o que mais assombra neste livro é que as mudanças não aconteceram de um dia para outro, os sinais das mudanças estavam presentes antes mesmos de nossa personagem se tornar adulta.
É aquele tipo de pensamento que temos quando assistimos aos noticiários durante as eleições, por exemplo: “Ah! Fulano nunca vai ser eleito com esse tipo de discurso”
ou mesmo justificar comportamentos machistas porque fulano é idoso tem mais de 86 anos e esquecemos que esse idoso é dono de uma emissora. Sei lá, é uma coisa pra se pensar.

Bem, o que quero dizer é que este livro não é uma leitura fácil, gostosa, mas sim que é uma leitura perturbadoramente reflexiva.

SINOPSE –  Descrição do livro
“O Conto da Aia – A história de O Conto da Aia, da canadense Margaret Atwood, passa-se num futuro muito próximo e tem como cenário uma república onde não existem mais jornais, revistas, livros nem filmes – tudo fora queimado. As universidades foram extintas. Também já não há advogados, porque ninguém tem direito a defesa. Os cidadãos considerados criminosos são fuzilados e pendurados mortos no Muro, em praça pública, para servir de exemplo enquanto seus corpos apodrecem à vista de todos. Para merecer esse destino, não é preciso fazer muita coisa – basta, por exemplo, cantar qualquer canção que contenha palavras proibidas pelo regime, como “liberdade”. Nesse Estado teocrático e totalitário, as mulheres são as vítimas preferenciais, anuladas por uma opressão sem precedentes. O nome dessa república é Gilead, mas já foi Estados Unidos da América.

Como tudo pôde mudar tão rapidamente? Offred, a narradora, responde: “Foi depois da catástrofe, quando mataram a tiros o presidente e metralharam o Congresso, e o Exército declarou estado de emergência. Na época, atribuíram a culpa aos fanáticos islâmicos. Mantenham a calma, diziam na televisão. Tudo está sob controle. (…) Foi então que suspenderam a Constituição. Disseram que seria temporário. Não houve sequer um tumulto nas ruas. As pessoas ficavam em casa à noite, assistindo à televisão, em busca de alguma direção. Não havia mais um inimigo que se pudesse identificar.” Não, este não é um romance pós-atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. Margaret Atwood, a grande dama da literatura contemporânea em língua inglesa, publicou-o originalmente em 1985. O livro já é um clássico, há muitos anos adotado nos colégios ingleses, canadenses e americanos. E agora ganha tradução para o português.

As mulheres de Gilead não têm direitos. Elas são divididas em categorias, cada qual com uma função muito específica no Estado – há as esposas, as marthas, as salvadoras etc. À pobre Offred coube a categoria de aia, o que significa pertencer ao governo e existir unicamente para procriar. Uma catástrofe nuclear tornou estéril grande parte das pessoas, de modo que as mulheres férteis agora são preciosidades. Transformadas em aias, elas são entregues a algum homem casado do alto escalão do exército e obrigadas a fazer sexo com eles até engravidar. Portanto, a cada mês, menstruar é fracassar. E quando elas engravidam, dão à luz e amamentam a criança por alguns meses, sendo que o bebê é propriedade do casal que as escravizou. Após o período de amamentação, elas são entregues a outro homem e passam pelo mesmo martírio novamente, agora com outro nome – Offred é “of Fred”, “de Fred”, “pertencente ao homem chamado Fred”. Ao longo da vida, uma aia pode ter vários donos e, portanto, vários nomes: Ofglen, Ofcharles, Ofwayne…

As aias são controladas e vigiadas dia e noite. Elas não têm permissão para escrever nem ler, só podem ir ao banheiro um determinado número de vezes por dia e não devem permitir que nenhum homem veja qualquer parte do seu corpo exposta, nem mesmo os braços. O ideal é que nem seu rosto seja mostrado. É uma vida triste, mas um destino melhor que o das não-mulheres, como são chamadas aquelas que não podem ter filhos, as homossexuais, viúvas e feministas, condenadas a trabalhos forçados nas colônias, lugares onde o nível de radiação é mortífero.

Offred tem 33 anos. Antes, quando seu país ainda se chamava Estados Unidos, ela era casada e tinha uma filha. Mas o novo regime declarou adúlteros todos os segundos casamentos, assim como as uniões realizadas fora da religião oficial do Estado. Era o caso de Offred. Por isso, sua filha lhe foi tomada e doada para adoção, e ela foi tornada aia, sem nunca mais ter notícias de sua família. É uma realidade terrível, mas o ser humano é capaz de se adaptar a tudo. Offred escreve em seu diário proibido: “A sanidade é um bem valioso: eu a amealho e guardo escondida, como as pessoas antigamente amealhavam e escondiam dinheiro. Economizo sanidade, de maneira a vir a ter o suficiente quando chegar a hora.”

Com esta história assustadora, Margaret Atwood leva o leitor a refletir sobre liberdade, direitos civis, poder, a fragilidade do mundo tal qual o conhecemos, o futuro e, principalmente, o presente. O conto da aia já foi transformado em filme, peça de teatro, ópera, audiolivro e dramatização radiofônica”.

Offred = “de Fred” nossa personagem (que outrora fora June) tinha emprego, marido e uma filha e é ela que nos dá um vislumbre do que foi o Governo e Sociedade Gilead.
As mulheres férteis eram consideradas apenas como receptáculos de espermas para garantir a perpetuação da espécie, essas eram as aias.

As Aias — Viviam nas casas dos comandantes e uma vez por mês no seu período fértil era estupradas em meio as pernas das esposas estéreis, não eram tocadas, não lhes dirigiam palavra alguma, eram somente objeto “sagrado” da fertilidade.
Só saiam para fazerem compras da casa em pares e não podiam manter nenhum tipo de conversa, eram constantemente vigiadas por homens armados denominados Olhos, guardiões, Anjos.
Todas as aias vestiam-se iguais, vestidos vermelhos e touca branca que pareciam cabresto, pois, lhes tiravam a visão periférica, assim também como nunca faziam contato visual com quem quer que seja.

Todas as mulheres usavam um tipo de uniforme os das esposas (mulheres dos comandantes) eram azuis. Os das Marthas (empregadas domésticas) eram verdes. Enfim, todos usavam uniformes de acordo com suas condições, inclusive os comandantes que se vestiam como patriarcas, símbolo de reverência, autoridade máxima.

A história nos é contada de forma não linear e não temos ideia de quanto tempo durou esse regime e quais ou tipo de sequelas foram deixadas. Mesmo durante o regime havia boatos de uma resistência que circulavam entre as aias com o nome “MayDay”

MayDay pode ser a organização que deu fim a esse governo. Tudo é uma incógnita e o que interessa pra gente mesmo é abrir os olhos e se manter vigilante com que acontece no nosso país por mais insignificante que possa parecer.

Estou ansiosa pela continuação da série que é bem fiel ao livro e curiosa de como vão terminar, já que o final do livro deixa para que o leitor o termine de fato.

Na série tem uma frase que talvez já nos dê uma ideia do poder da união:

“Nunca deveriam ter nos dado uniformes se não queriam que fôssemos um exército”

Marcia Lopes

Paulistana, bookaholic. Louca por livros de terror,Thriller psicológico, policial, jurídico... Mas não dispensa um bom romance. Também apaixonada por filmes e séries.

11 Comentários em “[Resenha] O Conto da Aia – Margaret Atwood

  • Oi
    Quero muito ler esse livro. Faz tempo que fiquei sabendo que ele era bom, mas eu nem sabia o que era a história. Adorei saber sobre a série, com certeza vou querer ler e assistir!
    Bjus

  • Oi, tudo bem?
    Tem uma série? ???? Não conheço, achei livro muito interessante, parece ser aqueles que te prendem até o final, com muito suspense.
    Amei a sua resenha!
    Beijos, Larissa (laoliphant.com.br)

  • Oi Márcia,
    Acho que esse é o livro da vez! Livro e série estão causando um grande furor por causa das questões sociais e políticas discutidas. Imagino que não seja um livro fácil de se ler, mas que deve ser lido para abrir nossos horizontes e nossa visão de mundo. Em um mundo distópico, assim como em muitas ficções científicas, autores e cineastas conseguem colocar temas reais e polêmicos para o debate, maquiados pela fantasia. Valeu!
    Beijos,
    André || Garotos Perdidos

  • Olá,
    Desconhecia totalmente tanto a série quanto o livro, mas achei a premissa bem interessante mesmo que não seja uma leitura fácil ou gostosa, mas sim que nos faça refletir sobre diversos pontos ligados à política e a religião.
    Essa última frase da resenha destacada em vermelho tem grande peso e foi o que mais chamou minha atenção, já que não sou muito de acompanhar séries. Fiquei intrigada e pretendo pesquisar um pouco mais sobre ambos.

    LEITURA DESCONTROLADA

  • Olá, tudo bem?
    Por incrível que pareça, eu conheci esse livro acompanhando as redes sociais da Emma Watson, pois ela distribuiu alguns exemplares dele em Paris, se não estou enganada. Fiquei imediatamente curiosa para ler, pois ela sempre traz ótimas indicações de leitura.
    Ainda estou aguardando meu exemplar chegar (mas a saraiva não colabora haha), e fiquei ainda mais ansiosa para ler depois de ver suas impressões. Deve ser uma leitura realmente impactante e reflexiva, para realmente tirar o leitor da zona de conforto.
    Ah e eu adorei saber que a série é fiel ao livro. Depois que ler, com certeza vou querer assistir.
    Ótima resenha! Espero ler esse livro muito em breve.
    Beijos!

  • Hi,
    Eu não conhecia a série e nem o livro rsrs eu não fazia ideia da existência mas pelo que você diz parece ser interessante não sei se é o que eu veria por causa do gênero mas mesmo assim é bem empolgante.

  • Alessandra
    2 meses ago

    Não conhecia a série, tão pouco o livro, mas você conseguiu me deixar motivada e empolgada com a possibilidade de conhecer melhor esta história.

    A princípio, acho que acabarei me tornando fã, pois a temática parece ser interessante, intrigante e envolvente.

  • É um enredo muito intrigante, estou louca pra assistir a série, mal posso esperar para conhecer esse universo e, consequentemente, ler o livro!

    Beijinhos,
    Livros que Li

  • Olá!!!
    Acho que seria uma leitura bastante forte e envolvente. Sua resenha me deixou bastante curiosa, até porque nunca li nada parecido.
    Vou deixar anotado aqui.
    Bjs

    https://blog-myselfhere.blogspot.com.br/

  • Quero muito ler esse livro e assistir a essa série também, essa temática me atrai bastante.
    Beijos
    Mari
    Pequenos Retalhos

  • Olá Marcia, tudo bem?

    Não conhecia o livro, tampouco a série que você citou no início da resenha, mas ao que tudo indica ele me lembra uma distopia. Posso estar errada, mas encontrei indícios disso, principalmente quando diz que o livro aborda uma sociedade próxima, onde tudo o que conhecemos já não existe mais. Gosto deste tipo de enredo e vou deixar aqui anotado o nome.

    Beijos

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