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[ Resenha } Precisamos Falar Sobre o Kevin – Lionel Shriver

Edição:2|Editora: Intrínseca|ISBN:9788580571509 |Ano: 2012|Páginas: 463

Para falar de Kevin Khatchadourian, 16 anos – o autor de uma chacina que liquidou sete colegas, uma professora e um servente no ginásio de um bom colégio dos subúrbios de Nova York –, Lionel Shriver não apresenta apenas mais uma história de crime, castigo e pesadelos americanos: arquiteta um romance epistolar em que Eva, a mãe do assassino, escreve cartas ao marido ausente. Nelas, ao procurar porquês, constrói uma reflexão sobre a maldade e discute um tabu: a ambivalência de certas mulheres diante da maternidade e sua influência e responsabilidade na criação de um pequeno monstro. Precisamos falar sobre o Kevin discute casamento e carreira; maternidade e família; sinceridade e alienação. Denuncia o que há de errado com culturas e sociedades contemporâneas que produzem assassinos mirins em série e pitboys. Um thriller psicanalítico no qual não se indaga quem matou, mas o que morreu. Enquanto tenta encontrar respostas para o tradicional “onde foi que eu errei?” a narradora desnuda, assombrada, uma outra interdição atávica: é possível odiarmos nossos filhos?



O estigma de Eva?!
A história contada nesse livro parece mais uma história de terror, ” O filho do mal”, mas sabemos que não é assim ou achamos que sabemos.
Eva mãe de um garoto que ficou conhecido por matar onze pessoas, mas ficaremos sabendo que na verdade foram mais, isso importa? Para Eva é claro que sim, talvez ela até entendesse, se as outras vítimas não lhe fosse tão cara.
E querendo saber onde foi que errou e através de cartas que escreve ao marido , somos tragados, arremessados ao íntimo de Eva, que machuca, tortura e choca o leitor.
Em uma sociedade onde alguém tem que levar a culpa e nesse caso os pais e principalmente a mãe, contribui em maior grau no que os filhos se tornam, eu fico pensando onde foi que Eva errou quando Caim matou Abel.
É da nossa “natureza” amar o bom, belo, “aceitável” e sentir empatia por aquilo que conseguimos entender. Isso é errado? Não .É mais fácil e flui.
Porém tanto Eva e Kevin fugiam aos padrões ditos “normais”. Kevin rejeitou a mãe ao nascer se refugiando ao pai, seria apenas defesa?
Eu fico pensando que se toda a gravidez indesejada gerassem monstros , a humanidade estaria toda corrompida  e se eu concordar que já está… Voltaremos a primeira Eva. E não é justo.
Esse livro fez um rebuliço em minha cabeça e eu confesso que como mãe me senti culpada, como pessoa me senti injustiçada e como mulher ultrajada. Todo o “mundo” espera demais. ( da humana mãe).
Ora, Eva nos dá uma amostra de uma sociedade americana  “perfeita”, com famílias, filhos , cidadãos e casais perfeitos. Bah!!!  e falando em “perfeição” eles não tinham religião, faz diferença? Eu acredito que sim.
Talvez Kevin tenha se sentido entediado  e talvez o fato de Eva estar viva, se dê somente por que ela fugia aos padrões típicos da cultura do país e Kevin gostou disso! Querendo ou não a mãe não era assim tão diferente dele.
Fiquei pensando como seria uma pessoa tipo o Kevin, nos tempos de Hitler ,  se fosse muçulmano… em como outras culturas o descreveria.
O fato é que Eva  fora considerada culpada , ela queria ser culpada, destrinchou a sua culpa e não queria ser absolvida.
Mas… Não foi assim desde o principio? Não foi a Eva que induziu Adão levando a humanidade a conhecer o pecado e todas as mães assim carregarem os estigma da maldade?
A leitura desse livro é tensa, chocante, torturante… Mas tão sincera , que é um alívio no final, Eu leitora precisava ouvir de Kevin a resposta. Porquê. E partir daí  recomeçar.

Marcia Lopes

Paulistana, bookaholic. Louca por livros de terror,Thriller psicológico, policial, jurídico... Mas não dispensa um bom romance. Também apaixonada por filmes e séries.

10 Comentários em “[ Resenha } Precisamos Falar Sobre o Kevin – Lionel Shriver

  • Quero muito ler esse livro. Já vi um filme tempos atrás e lembro o quanto foi chocante, mas o livro provavelmente seja mais intenso. São dessas histórias que não conseguimos esquecer depois da última página.

    atraentemente.blogspot.com

    • Sim, dificilmente se esquece uma história, principalmente com uma narrativa que de tão intensa, causa um certo desconforto. Bjs

  • História profunda, sensível e extremamente delicada. Não é fácil falar desses assuntos e é díficil encontrar quem o faça com maestria. Sempre ouvi ótimas referências do livro e está na minha fila. Ótimo post!

  • Stella Freire
    5 anos ago

    Oi Márcia! Tudo bem?
    Finalmente terminei de ler!

    Sem dúvidas um livro fantástico! Não me abalou muito emocionalmente não, mas por um momento até repensei os prós e os contras de ser mãe!

    Gostei do que você disse: "Eu fico pensando que se toda a gravidez indesejada gerassem monstros , a humanidade estaria toda corrompida…". Pobre Eva, a culpa não foi dela!
    Ela bem que tentou endireitar o garoto!

    Mudando de assunto… Honestamente? Ainda não sei dizer se ele era psicopata ou não. A crueldade dos atos dele é tamanha, mas fico dividida por pensar que ele talvez possa ter tido algum afeto pela mãe. O fato dela ter permanecido viva grita por este argumento! Mas também podemos acreditar no que o Kevin disse: "Não se atira na platéia".

    Beijos!

    Stella

  • É Fê dá medo mesmo! A L~e Pimenta colocou bem o que não consegui , a sociedade cria seus próprios monstros… É tenso!
    Obrigada pelo carinho de vcs!
    E Jess ele não é confuso, é tenso choca, machuca…Bjs

  • Eu estou um pouco assustada, mas acredito que quero ler, pois tem aquilo de curiosidade. Este livro transmiti medo, angústia e por ver certas coisas na nossa sociedade deu medo, por sabe que não é apenas ficção.

    Beijokas Flor!

  • Confesso comprei esse livro só pela simples e pura curiosidade de ler os pensamento da mãe deste intitulado monstro e confesso como leitora extremamente curiosa queria sentar na frente dele e pergunta por que? queria analisar sua trajetória através de seus amigos ou a falta delas, uma vez escultei uma psicologa falar que a sociedade cria seus próprios monstros e eu fui obrigar a concorda com ela, o que está por trás do que ele fez, matando 11 pessoa ou até mais, só lendo o pequeno relatado dos fatos no livro, obrigada pela linda resenha que me deixou extremamente curiosa e ansiosa para ler.

    http://loucaescrivaninha.blogspot.com.br/

  • Parece um livro confuso daqueles livros que me deixam com pé atras, mas como sempre a curiosidade fala mais alto 🙂

  • Foi assim mesmo que me senti Andressa, a leitura é tensa, mas o livro é muito bom.
    Obrigada pela visita.:)

  • Confuso, conturbado, angustiante, um fio de esperança no final. Foi assim que me senti com sua resenha. E gostei, pois passou realmente emoção. Parece um livro pesado mais muito bom afinal
    parabens
    bjs
    http://leituradeouro.blogspot.com/

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