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[Texto] Livros lidos e vividos

Olá literandos!
Eu estou em fase de releituras e com isso ando tendo muitas surpresas – Já aconteceram com vocês ficarem fascinados por um livro e mais tarde o lendo novamente , ficarem procurando o mesmo fascínio, e nada?!
Então ao contrário relerem um que não se lembra bem da história, só tem uma vaga lembrança de não ter gostado e puxa! O livro é demais?! 
Pois é, eu fiquei pensando… Se o fato ocorre por causa do livro ou por causa do leitor. Talvez pelos dois ou dependendo do livro ou assunto, pela maturidade do leitor. Bem, de qualquer forma fazia um tempinho que não postava um texto e achei esse do Millôr Fernandes que complementa bem meu “conflito” literário. rs

Livros lidos e vividos (de 1 a 100…)
1. Imortalidade, de Coelho Netto

Alguém aí ainda sabe quem foi Coelho Netto, o pequeninho escritor ”acadêmico” que, no início do século (o outro, o XIX), disputando com o ”revolucionário” Graça Aranha, na Academia de Letras, gritava, no ombro dos colegas, como slogan de campanha: ”Sou o último dos helenos!?”

Torcedor do Fluminense, morando ali perto da sede do clube, e, not the least, pai de João Coelho Netto, o Preguinho, atacante imortal do glorioso tricolor. Preguinho foi o maior atleta do seu tempo, campeão, além do futebol, de pólo aquático, basquete, voleibol, saltos ornamentais, atletismo, natação, remo e… hóquei sobre patins! Tudo amador.E, aperte os cintos, Romário. Na época, no futebol, marcou 187 gous.

Bem, mas deixa eu voltar ao pai. Coelho Netto foi o escritor mais lido do seu tempo, embora lê-lo só fosse possível com um bom dicionário ao lado. Li Imortalidade por volta dos 15 anos. O herói era um personagem que tomava um fluido qualquer e só despertava séculos depois (Rip Van Winkle?) apenas pra me mostrar, pela primeira vez, o terror metafísico da imortalidade. Pior do que a mortalidade, que temos assegurada e que nos dá apenas medo.

Muitos anos depois encontrei o romance e tornei a lê-lo. O fascínio tinha desaparecido. Quem estava certo: o primeiro ou o segundo leitor?Mas tenho saudade daquela linguagem difícil, no tempo em que escrever difícil era escrever bem, e entender o difícil era superioridade moral.

Fonte : Millôr online


Marcia Lopes

Paulistana, bookaholic. Louca por livros de terror,Thriller psicológico, policial, jurídico... Mas não dispensa um bom romance. Também apaixonada por filmes e séries.

4 Comentários em “[Texto] Livros lidos e vividos

  • Isso aconteceu comigo com alguns livros da série vaga lume que li quando adolescente, já voltei e reli todos os meu favoritos mas infelizmente o sentimento foi outro, não tinha a mesma emoção de antes.
    Diria que o primeiro e o segundo leitor são pessoas completamente diferentes onde as experiências vividas são outras o que torna a releitura muito diferente. Lembro do primeiro livro de Machado de Assis que tentei ler tinha uns 10 ou 11 anos eu simplesmente detestei não entendi nada (srsrsr) anos depois voltei a ler e me apaixonei por seus livros e pela literatura brasileira. A maturidade de nós leitores faz toda diferença 🙂

    Amei esse post Márcia
    BJS
    Jéssica

    • E Jess é uma delícia reler livros, vc fica com duas expectativa a de antes e a de agora, chega a ser um aprendizado sobre você mesmo! rs
      Bjs

  • Pra mim foi ao contrário quando reli Dom Quixote… fiquei mais fascinada do que da primeira vez que tinha lido… hehehe! Mas bem observado, Marcia… gostei dessa tua colocação.

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